Doenças da água: 63% das internações de crianças no verão

Estadão

16 de dezembro de 2009 | 16h37

Por Eduardo Reina

As doenças transmitidas por água são responsáveis por mais de 63% das internações pediátricas no Sistema Único de Saúde (SUS) no verão. Só na cidade de São Paulo, de 1º de janeiro até 3 de dezembro foram notificados 263 surtos de doenças transmitidas por água e alimentos, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, como hepatite A e doenças diarreicas.

Uma pesquisa feita pelo Instituto Trata Brasil em Porto Alegre (RS) revela que 62,7% de doenças registradas em moradores da Vila Dique, uma comunidade carente com 537 famílias, são de veiculação hídrica. Diarreias, leptospirose e verminoses são as patologias mais frequentes, relacionadas diretamente à falta de coleta e de tratamento de esgotos. Segundo a pesquisa, diarreias representam 25,3% do total das doenças registradas, seguidas de leptospirose com 21% e verminoses 16,4%, sendo as crianças com idade entre 0 a 7 as mais atingidas. Das hospitalizações ocorridas entre os moradores da região, nos anos de 2004 a 2006, 8,3% referem-se a causas de doenças provocadas pela falta de saneamento. Das mortes ocorridas, no mesmo período, 7,8% dos casos foram consequência dessas doenças.

Para o presidente do Instituto Trata Brasil, Raul Pinho, o estudo mostra a importância dos investimentos do setor de saneamento, especialmente nas zonas de maior pobreza. “O que identificamos na Vila Dique é o reflexo do que ocorre em todo o País. Não há cidade no Brasil que não tenha problema de saneamento e os impactos mais graves atingem a população menos favorecida, que vive nas periferias, especialmente as crianças.”

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