A mais paulistana das avenidas?

Estadão

12 de outubro de 2009 | 06h00

Foto: Nilton Fukuda/AE

Por Rodrigo Brancatelli

Por mais que hoje a Paulista seja o principal cartão postal de São Paulo, fica difícil imaginar uma avenida mais paulistana do que a São João, no centro da capital. Ali, naqueles 1.930 metros de asfalto um tanto esburacado, está um resumo de tudo que há de bom e ruim na cidade – os edifícios históricos, os motoboys apressados, os calçadões, o lixo nas ruas, as galerias, os camelôs, as atrações gastronômicas, o churrasquinho de gato, os conjuntos urbanos com múltiplas sobreposições de funções, os garotos fumando crack…

Mesmo quem mora em São Paulo há décadas sabe pouco sobre a São João – além da música de Caetano Veloso, claro. Por exemplo, o nome – como a região do Anhangabaú era considerada muito insalubre, as pessoas levavam consigo uma imagem de São João Batista para atravessar o vale. Daí surgiu o nome da Avenida São João, que foi resultado do loteamento da chácara de Luís Antônio de Queirós. Além disso, a avenida foi uma das primeiras a serem servidas por bondes elétricos em São Paulo e sempre foi ponto de referência para a boemia paulistana. Entre as décadas de 40 e 60, grandes bailes eram realizados nas casas da região das avenidas Ipiranga e São João. As casas empregavam uma média de 40 músicos cada – uma delas era a Boate e Confeitaria Marabá, que em 1944 deu lugar ao Bar Brahma.

Para quem quiser conhecer um pouco mais desse microcosmo paulistano, no próximo sábado (17) haverá um passeio na Avenida São João promovido pelo site ARQ!BACANA, em parceria com a Editora Narrativa Um e apoio do Centro Universitário Senac. O roteiro será guiado pelo arquiteto e urbanista Michel Todel Gorski, diretor do escritório Barbieri & Gorski Arquitetos Associados, especializado em projetos e consultorias em lazer, cultura, entretenimento e paisagismo. Michel é também autor do roteiro “Rondando pela São João, a mais paulistana das avenidas”, do guia Dez roteiros históricos a pé em São Paulo, da Editora Narrativa Um.

O passeio inclui, entre vários edifícios e lugares históricos, a Praça Antônio Prado e as vistas externas dos seus edifícios clássicos, o Vale do Anhangabaú e o prédios dos Correios, Largo Paiçandu e Galeria do Rock, esquina das avenidas Ipiranga X São João, Praça Julio Mesquita, o início do Minhocão e o Edifício Margarido, primeiro prédio modernista da cidade, que será visitado por dentro. Para mais informações, mande um e-mail para arqtour@arqbacana.com.br ou ligue no telefone 3078-2906.

Serviço:
17 de outubro, sábado, 30 vagas
Das 10h às 14h
Ponto de encontro: Praça Antonio Prado, ao lado do relógio “De Níckile”, na lateral do Edifício Martinelli.
Preço: R$ 60 com um exemplar de Dez roteiros históricos a pé em São Paulo

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