Cracolândia começa a ganhar ares de “cidade-fantasma”

Estadão

30 de julho de 2009 | 19h45

Por Diego Zanchetta

Para quem mora no centro de São Paulo e se acostumou a tropeçar em “noias” estirados nas calçadas – a ponto de nem mais achar tão grave o problema e considerar que realmente o cenário é parte já intrínseca da região – fica difícil crer que a cracolândia será realmente revitalizada e ocupada pela população. Nos últimos oito dias, uma operação integrada entre governo do Estado e município (mais uma!) tenta oferecer atendimento médico aos dependentes químicos que moram nas ruas.

Se vai dar certo ou não, ainda é cedo para afirmar. A verdade é que a operação, centrada na “parte de cima” da Avenida Duque de Caxias, nos Campos Elísios, mudou a cara de vias como a Rua Helvétia (foto abaixo) e a Alameda Glete em apenas oito dias. Com a lacração dos hotéis e bares que serviam de refúgio para os viciados e a intensificação de batidas policiais em toda esquina, o que se vê hoje são alguns usuários esparsos, dando a impressão de que se cansaram do “pega-pega”. Nas ruas, poucos comerciantes, viaturas, agentes de saúde… E carros da Eletropaulo retirando fiações de imóveis fechados.

FOTO: Nilton Fukuda/AE

Mas se a cracolândia dos Campos Elísios já começa a lembrar uma cidade meio fantasma, num clima de “fim de feira”, na “parte de baixo” – onde ficam as lojas para acessórios de motos – os “noias” se concentram em pontos como a Rua Conselheiro Nébias e a Praça Júlio de Mesquita. Questionado por que a ação não tinha surtido efeito ainda nesse trecho da região, o coronel Marcos Roberto Chaves da Silva, comandante da PM no centro, explicou que a tática é deixar agora os usuários concentrados em apenas um lugar. “Dessa forma, vamos facilitar a abordagem dos agentes de saúde e a identificação deles por meio de fotos”, disse o coronel ao Estado. Uma das críticas dos agentes no início dos trabalhos era de que as batidas policiais espalhavam muito os viciados e dificultavam as abordagens.

Para a presidente da Associação de Moradores e Comerciantes dos Campos Elísios, Dinah Piotrowski, as pessoas devem dar um voto de confiança à nova operação. “O difícil é acreditar que esse começo terá continuidade”, diz. A Prefeitura garante que vai manter a mobilização por tempo indeterminado.