Trem descarrilado do metrô é de frota reformada que já saiu dos trilhos
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Trem descarrilado do metrô é de frota reformada que já saiu dos trilhos

Metroviários têm apontado problema de superaquecimento nos truques; reforma é alvo das denúncias do cartel do Metrô

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

08 Fevereiro 2017 | 11h38

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Dano nos trilhos do trem. Foto: Divulgação

O trem do Metrô que saiu dos trilhos entre as estações Artur Alvim e Corinthians-Itaquera, na zona leste de São Paulo, na tarde desta terça-feira, 7, é da chamada “Frota K” da empresa. São trens comprados pela companhia nos anos 1980 e que passaram por processo de reforma entre 2008 e 2012, em um processo questionado pelo Sindicato dos Metroviários por falhas técnicas nas reformas e pelo Ministério Público Estadual por suspeita de ação de cartel.

O trem da pane desta terça é o K-15. Em 2013, o trem K-07 também descarrilou, mas na outra ponta da Linha 3-Vermelha, a Estação Palmeiras Barra-Funda.

No acidente de ontem, o K-15 já estava com ordem do Centro de Controle Operacional (CCO) do Metrô para ser retirado da linha. Segundo os metroviários, o maquinista já havia notado um barulho na composição e informado os controladores. Mas não deu tempo de chegar até Itaquera, a última parada antes do pátio. O Metrô confirma a ordem de retirada do trem.

O descarrilamento quebrou a passarela de concreto que fica ao lado dos trilhos. Até a noite de terça, a empresa ainda estava avaliando se seria possível operar já na manhã de quarta.

Segundo o Sindicato dos Metroviários, funcionários da empresa vêm registrando superaquecimento em uma das peças. “O truck é aquela parte do trem onde ficam as rodas. Na frota K, ele tem superaquecido”, diz o coordenador geral do Sindicato, Alex Ferreira. “Na reforma, tiraram assentos para os passageiros e assim, cabe mais gente. O trem fica mais pesado”, argumenta. “Aí superaquece.”

“Qualquer conclusão antes da perícia, além de precipitada, seria irresponsável”, rebate o Metrô, em nota. A empresa, administrada pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB), “a causa do incidente notável na Linha 3-Vermelha, com descarrilamento de trem entre as estações Artur Alvim e Corinthians-Itaquera, só poderá ser determinada após detalhada investigação da Comissão Permanente de Segurança (COPESE), formada por especialistas”.

“Os 25 trens da frota K passam regularmente pelos mesmos processos de manutenção de todas as composições. Quando feitas comparações, os trens da frota K apresentam desempenho operacional e de segurança semelhante às demais frotas em operação, novas ou modernizadas”, continua o Metrô.

A empresa disse ainda que “o Metrô de São Paulo é um dos mais seguros do mundo. Nunca houve um acidente com morte”.

Cartel. A reforma dos trens do Metrô é alvo de investigações do Ministério Público Estadual por suspeita de atuação de um cartel entre as empresas fabricantes de trens e componentes, denunciada a partir de 2012 pela Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Além das eventuais fraudes em licitação apuradas na esfera criminal, na esfera civil há questionamentos sobre o valor das reformas, que teriam ficado em 80% do valor da compra de trens novos. Os contratos para reformas de trens das Linhas 1-Azul e 3-Vermelha somam R$ 1,8 bilhão, em valores de 2012.

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Dano na via da Linha 3. Foto: Divulgação

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Dano na via da Linha 3. Foto: Divulgação