Sem recursos, regionais de Doria dizem ‘enxugar gelo’ e ‘fingir que trabalham’
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Sem recursos, regionais de Doria dizem ‘enxugar gelo’ e ‘fingir que trabalham’

Administradores das prefeituras regionais reclamam de falta de estrutura para serviços como poda de árvores e formas de prevenir pichações

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

09 Fevereiro 2017 | 07h00

Doria e Covas durante campanha. Foto: Alex Silva/Estadão

Doria e Bruno Covas durante campanha. Foto: Alex Silva/Estadão

COM PEDRO VENCESLAU e GUSTAVO LOPES 

(Atualizado às 12h26)

Prefeitos regionais recém nomeados pela gestão João Doria (PSDB) para administrar as antigas subprefeituras têm se queixado da falta de estrutura, de verbas e de pessoal para fazer as ações de zeladoria da capital paulista.

As queixas, feitas em entrevistas promovidas pela Rádio Estadão, ocorrem em meio às ações do programa Cidade Linda, o mutirão proposto pelo prefeito justamente para tratar da zeladoria.

O prefeito regional de São Miguel, na zona leste, Edson Marques, por exemplo, afirma não ter como dar resposta a todas as demandas por poda de árvores. “É uma grande demanda e uma capacidade inibida de atendimento. Eu, por exemplo, trabalho com duas equipes para essa questão da poda de árvores”, afirma.

Em sua entrevista, Marques disse que há, na Regional, apenas uma engenheira agrônoma — que deve se afastar em breve por causa de sua gravidez. Antes de cada poda, diz ele, é preciso que algum profissional dessa especialidade faça um laudo liberando o serviço.

“Nós acabamos fingindo que estamos fazendo e na verdade você vai agindo sob pressão. Não é a melhor forma de você administrar. Porém, essas são as condições atuais e a estamos trabalhando no sentido de um futuro melhor”, disse Marques.

Outra queixa dos regionais está relacionada a outra ação do prefeito, sua “guerra” contra as pichações da cidade. No caso da Vila Mariana, que é responsável por parte da Avenida 23 de Maio, o regional Benedito Mascarenhas, ao ser questionado na rádio, reconheceu que não havia ação preventiva a ser adotada para evitar o surgimento de novas inscrições nas paredes.

Ao debater sobre a proposta de criação de uma lei com multas mais duras para pichadores, Mascarenhas disse que, se “pega alguém chegando próximo ou executando a pichação na hora, a única coisa que se pode é levar para a delegacia, formalizar toda a ocorrência mas a pessoa não tem nenhuma punição”.

“É enxugar gelo, como se diz. O que cabe exatamente para nós é ir lá pintar aquilo que foi sujado.”

Mesmo o secretário das Prefeituras, Bruno Covas, relatou falta de condições para atender todas as reclamações da cidade. Covas, ao tratar das reclamações do Psiu, o programa de silêncio urbano da cidade, ele afirmou que conta com apenas dois técnicos para produzir laudos que embasariam eventuais multas para toda a cidade.

Covas afirma que a Prefeitura estuda uma forma de descentralizar esse serviço, de forma a ampliar as formas de fiscalização entre as Regionais.

Após a publicação deste texto, Covas enviou uma nota por meio da Secretaria Especial de Comunicação da Prefeitura. No texto, ele diz que Covas informou que “enviou orientação a todos os prefeitos regionais determinando que exerçam suas funções com os recursos disponíveis, utilizando-se de esforço e criatividade”. Ainda segundo Covas, “qualquer manifestação, a posteriori, em que se declarem incapazes de atender às necessidades da população será entendida como renúncia tácita ao cargo, acarretando a imediata substituição”.