MP arquiva investigação contra presidente da Câmara Municipal de SP
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MP arquiva investigação contra presidente da Câmara Municipal de SP

Promotoria diz que não há indício de enriquecimento ilícito contra Antonio Donato (PT); vereador foi citado como beneficiário da Máfia do ISS

Bruno Ribeiro e Fabio Leite

06 Julho 2016 | 12h46

O Conselho Superior do Ministério Público Estadual (MPE) homologou nesta segunda-feira, 5, pedido de arquivamento do inquérito aberto contra o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Donato (PT), investigado por suspeitas de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.

O promotor Marcelo Milani é autor do pedido de arquivamento do inquérito contra o vereador. Ele afirma que o vereador abriu, por conta própria, seus sigilos bancários durante a investigação. O MPE também obteve informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Ministério da Fazenda, com relatório sobre todas as transações financeiras ligadas a Donato — e não encontrou irregularidades.

A investigação era no âmbito civil. A apuração verificaria se Donato tinha bens e riquezas acima do que o declarado, fruto de eventual improbidade administrativa, ao usar seu cargo público para obter vantagem. O vereador não chegou a ser investigado no âmbito criminal.

“A evolução patrimonial do vereador é condizente com sua renda. Então recomendei o arquivamento do inquérito, que apurava a possibilidade de enriquecimento ilícito e improbidade administrativa. Agora, se surgirem novas informações, o inquérito pode ser desarquivado”, disse o promotor.

donato daniel teixeira

O presidente da Câmara, Antonio Donato. FOTO: Daniel Teixeira/ESTADÃO

As suspeitas contra Donato partiram das investigações da Máfia do Imposto Sobre Serviço (ISS), ocorridas em 2013. Ele foi citado, em uma das denúncias, como receptor de R$ 20 mil mensais do ex-auditor fiscal Eduardo Horle Barcellos, um dos homens acusados de operar a máfia, e de R$ 5 milhões, junto com outros vereadores, para arquivar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do IPTU, ocorrida durante a gestão Gilberto Kassab (PSD). Por causa dessas suspeitas, Donato se afastou do cargo de secretário de Governo, que ocupava na gestão Fernando Haddad (PT), em outubro de 2013, e voltou à Câmara Municipal, onde foi eleito presidente em 2014.