Única cidade-arquipélago, Ilhabela faz 215 anos e resgata sua pré-história
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Única cidade-arquipélago, Ilhabela faz 215 anos e resgata sua pré-história

José Tomazela

03 de setembro de 2020 | 20h53

Único município arquipélago do Estado de São Paulo, Ilhabela completou nesta quinta-feira (3) 215 anos de emancipação como um dos principais destinos turísticos paulistas. Mas a cidade, uma das estâncias balneárias mais badaladas do estado, também procura conhecer melhor seu passado.
Pesquisas e estudos da arqueóloga Cíntia Bendazzoli revelaram que populações indígenas viveram em Ilhabela alguns milênios antes da chegada dos colonizadores portugueses. “O arquipélago revelou um altíssimo potencial arqueológico. Sua importância está relacionada não somente à quantidade de vestígios encontrados, mas também pela variedade de sítios arqueológicos existentes”, disse.
Ao longo da pesquisa, a arqueóloga identificou e cadastrou 63 sítios arqueológicos pertencentes a três períodos de ocupação, sendo o mais remoto o dos sambaquis. Foram identificados 17 deles nas ilhas de São Sebastião, Vitória e Búzios. Segundo Cíntia, é o maior número de sambaquis já identificados no litoral norte paulista.
Nesses sítios, além de conchas de moluscos consumidos pelos habitantes de outrora, foram achados objetos de uso cotidiano feitos em pedra lascada e polida, e ainda restos de sepultamentos humanos. Da ocupação ceramista, em período posterior, foram encontrados fragmentos de potes e vasilhames cerâmicos, além de ferramentas feitas a partir do lascamento de pedras.
O período mais recente, do início da colonização, também deixou marcas importantes na região. Em comemoração aos 215 anos de Ilhabela, a arqueóloga anunciou a volta da página ‘Ilhabela Arqueológica’ na rede social Facebook, na qual compartilha conhecimento, informações e novidades sobre a arqueologia, história e patrimônio da cidade.
PRAIAS – Formado por cinco ilhas habitadas, além de sete ilhotas, o município possui mais de 40 praias que atraem veranistas de todo o país, além de muitos estrangeiros. Ilhabela recebe uma população flutuante duas vezes maior que seus 35,5 mil habitantes.
A área urbana está assentada na Ilha de São Sebastião, um dos acidentes geográficos mais elevados e destacados do litoral paulista. Seu ponto culminante, o Pico de São Sebastião, tem 1.379 m de altitude. As outras ilhas habitadas são dos Búzios, Vitória, das Cabras e dos Pescadores.
Cerca de 80% da área do município estão tombados e integram o Parque Estadual de Ilhabela.
O arquipélago abriga comunidades caiçaras isoladas, que vivem da pesca e do artesanato, em áreas acessíveis apenas de barco, mantendo os costumes de seus antepassados.
A Ilha de São Sebastião é separada do continente e da cidade de São Sebastião pelo Canal do Toque-Toque, com cerca de 18 km de extensão e até cinco de largura. Como não existe ponte, a travessia do canal é feita pelo serviço de balsas da empresa estatal Dersa.
A região foi ‘descoberta’ em 1502, quando a primeira expedição enviada ao Brasil pelos portugueses, trazendo a bordo o cosmógrafo italiano Américo Vespúcio, encontrou uma grande ilha em 20 de janeiro, batizada com o nome do santo do dia: São Sebastião.
No início do século 19, foi iniciado um movimento para emancipação do povoado que se formara na ilha, então pertencente à vila de São Sebastião. Uma portaria assinada pelo governador da época em 3 de setembro de 1805 deu ao povoado a condição de vila, que foi denominada Vila Bela da Princesa, em homenagem à filha mais velha de D. João VI e irmã de D. Pedro I.
Em maio de 1934, o governo paulista reanexou a ilha ao território de São Sebastião. Inconformados, os moradores protestaram e a extinção do município foi revogada em dezembro do mesmo ano. Em 1945, a Vila Bela passou a se chamar Ilhabela.

Povos pré-históricos habitaram Ilhabela. Foto PMI/Divulgação.

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