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Tragédia do Rio Turvo é lembrada com missa após 59 anos em Rio Preto

José Tomazela

24 de agosto de 2019 | 12h02

Uma missa na capela do andar térreo da Catedral Sé São José relembra, neste sábado (24), a tragédia que marcou há 59 anos a história de São José do Rio Preto. No dia 24 de agosto de 1960, um ônibus que levava os garotos de uma fanfarra da Escola de Comércio Dom Pedro e Ginásio Riopretano para a festa de aniversário de Barretos, caiu no Rio Turvo. Morreram afogados 59 estudantes de 14 a 22 anos, naquele que ainda é considerado o maior acidente rodoviário do Estado em número de vítimas.
No km 27 da rodovia Assis Chateaubriand havia uma ponte em construção e os motoristas eram obrigados a fazer um desvio. O motorista do ônibus, Wosihiyki Hahiasi, perdeu o controle e o coletivo mergulhou no rio, ficando com as rodas para cima. Na época, meninos e meninas viajavam em ônibus separados e o acidente aconteceu com o veículo dos garotos. O ônibus das meninas e o caminhão que levava os instrumentos da fanfarra saíram ilesos.
A escuridão da noite e a posição do veículo na água dificultaram o resgate. Dos 64 ocupantes do ônibus, apenas cinco sobreviveram, entre eles o motorista. Os corpos foram velados em suas casas e o enterro, no Cemitério da Ercília, varou a noite seguinte. A missa de sétimo dia, no estádio do América F.C., reuniu mais de 20 mil pessoas – na época, Rio Preto tinha 80 mil habitantes.
No local do acidente, foi erguida uma capela com a estampa dos rostos dos alunos mortos. O pequeno altar, com imagens do Coração de Jesus, Nossa Senhora Aparecida e Iemanjá, ainda está no local. Nos 50 anos do acidente, foi inaugurado o Bosque da Saudade, com o plantio de 59 jequitibás – cada planta recebeu o nome de um aluno morto.
A avenida de acesso ao aeroporto da cidade recebeu o nome de Avenida dos Estudantes, em memória das vítimas. A tragédia é lembrada em duas músicas sertanejas: “Tragédia do Rio Turvo”, cantada por Vieira e Vieirinha, e “Rio Preto de Luto”, de Tião Carreiro e Pardinho.

Capela lembra o acidente que matou 59 estudantes no Rio Turvo. Foto Prefeitura/Divulgação

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