Rio Tietê quase seco expõe toneladas de lixo em Salto
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Rio Tietê quase seco expõe toneladas de lixo em Salto

José Tomazela

30 Julho 2014 | 16h39

 

A mais severa estiagem dos últimos 80 anos mudou a paisagem urbana de Salto, na região de Sorocaba. Quase seco, o rio Tietê, que forma uma cachoeira no centro da cidade, transformou-se num fio de água escura e expôs toneladas de lixo acumuladas entre as pedras ao longo de décadas. Até a tarde desta quarta-feira (30), equipes da prefeitura haviam retirado 6,6 toneladas de lixo e entulho.

Por ser material contaminado pela poluição, plásticos, garrafas PET, brinquedos, latas, peças de veículos e outros materiais recicláveis tiveram de ser enviados para um aterro sanitário autorizado. Apenas restos de madeira e paus foram separados para uso em fornos industriais. Funcionários da prefeitura tiveram de treinar rapel para escalar, com o auxílio de cordas, os paredões de granito que formam a cachoeira e as corredeiras de Salto.

O lixo foi retirado em sacolões de plástico e transportado em caminhões. De acordo com o prefeito Juvenil Cirelli (PT), o material é proveniente das cidades que margeiam o rio Tietê antes da chegada a Salto, sobretudo na Grande São Paulo. Levados pela correnteza, os detritos acabam retidos no extenso pedral de granito existente na passagem pela cidade.

Além do aspecto ambiental, a ação visa a chamar a atenção para a necessidade de despoluir o Tietê, diz o prefeito. “Nós que acostumamos a venerar a queda d´água sabemos os reflexos negativos da falta de políticas sérias para coleta e destinação dos resíduos sólidos. A limpeza que estamos fazendo deve servir de alerta e de exemplo a toda sociedade.”

Ele levar a questão à Associação das Prefeituras das Cidades Estâncias do Estado de São Paulo (Aprecesp), da qual Salto faz parte. “A despoluição do Tietê deve ser uma bandeira das estâncias turísticas.” Os trabalhos prosseguem ao longo da corredeira e numa ilhota localizada no centro do rio, conhecida como Ilha dos Amores.

Além do rapel, usado para escalar paredões de até 26 metros, será usada uma tirolesa – passagem de cordas estendido sobre o rio – para retirar o lixo da ilha. Uma empresa de esportes radicais dá apoio aos trabalhadores. Segundo a instrutora Angélica Schiffel Guigov, outros municípios cortados pelo Tietê se interessaram pelas técnicas de esporte radical para a limpeza das margens e barrancos. “Os municípios estão aproveitando esse período difícil de seca para conscientizar sobre o meio ambiente”, disse.