Reserva de mata atlântica vira santuário de espécies ameaçadas em Juquiá
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Reserva de mata atlântica vira santuário de espécies ameaçadas em Juquiá

José Tomazela

23 de maio de 2020 | 14h26

Uma reserva de mata atlântica com área de 31 mil hectares virou refúgio para ao menos 50 espécies animais ameaçadas de extinção, no interior de São Paulo. O Legado das Águas, maior reserva privada desse bioma no país, encravado no mais importante corredor ecológico de mata atlântica do mundo, fica em Juquiá, no Vale do Ribeira, a 150 km da capital paulista, a maior metrópole das Américas.
Pesquisas mostraram que o santuário ambiental abriga 1.765 espécies da fauna brasileira, incluindo animais raros, como a onça-pintada e a anta albina. Só de aves, são 296 espécies catalogadas – 40% da avifauna paulista. Há ainda 322 espécies de borboletas, 70 de mamíferos, 67 de anfíbios e répteis e 54 de peixes, já que a região é repleta de nascentes, rios e lagos. Na flora, são 956 espécies, nove muito ameaçadas. Além de Juquiá, a reserva atinge também territórios de Miracatu e Tapiraí.

Animal albino forma casal de antas na reserva. Foto Luciano Cansidani.

O levantamento foi feito por meio de pesquisas científicas, com base em registros fotográficos feitos pelos monitores ambientais, guias turísticos e técnicos de campo. Também foram usadas armadilhas fotográficas instaladas na mata, que captam as fotos quando os animais passam pelo feixe emitido por um sensor.
Conforme o diretor da reserva, David Canassa, em parceria com pesquisadores e instituições, o trabalho já resultou em descobertas relevantes para a ciência, como a de duas antas albinas, talvez as únicas do mundo.
Também foi redescoberta espécie de orquídea considerada extinta em São Paulo e achada uma borboleta que não era encontrada há mais de 50 anos. A área foi reconhecida com prioritária para a conservação do macaco muriqui-do-sul e como posto avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela Unesco. O Legado detém o maior banco genético de flora da mata atlântica do planeta.

Araçari-banana, ave rara. Foto Luciano Cansidani

A reserva possui áreas abertas ao ecoturismo e para observação de aves, além da produção de espécies de plantas nativas para projetos paisagísticos. “É urgente que a conservação seja vista pelo viés das oportunidades de geração de renda com nossos biomas. E as pesquisas relacionadas ao momento pós-pandemia mostram a importância das florestas e a reconexão que será buscada pelas pessoas”, disse Canassa.
HISTÓRIA – A área da reserva foi adquirida a partir da década de 1940 pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), do grupo Votorantim, para conservar as matas e preservar a bacia hídrica do rio Juquiá, onde a companhia possui sete usinas hidrelétricas. Em 2012, o Legado das Águas foi transformado em um polo de pesquisas científicas, estudos acadêmicos e projeto de valorização da biodiversidade, em parceria com o governo de São Paulo.

Onça-parda, um dos grandes mamíferos. Foto Luciano Cansidani.

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