Quase um século depois, livro revela detalhes do ‘Crime das 7 Mortes’ em Tietê
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Quase um século depois, livro revela detalhes do ‘Crime das 7 Mortes’ em Tietê

José Tomazela

19 de novembro de 2021 | 08h41

Chama a atenção de quem visita o Cemitério Municipal de Tietê, bem próximo do prédio da administração, uma sepultura com sete esculturas representando anjos. Ali estão sepultadas as vítimas do ‘Crime das Sete Mortes’, uma chacina que abalou a região, o estado e até mesmo o país, no ano de 1923. Na noite do dia 21 para o dia 22 de abril daquele ano, a mãe e seus seis filhos, o mais novo, um bebê de onze meses, foram brutalmente assassinados a golpes de machado. O criminoso confesso era empregado do sítio e cometeu a barbárie na ausência do patrão, que tinha viajado em tratamento de saúde.

Às vésperas de completar um século, o massacre que ficou registrado como “um dos mais horrendos e abomináveis crimes de todos os tempos em São Paulo”, será contado no livro ‘Dos Sonhos ao Pesadelo – O Crime das Sete Mortes’, de José Luiz Meucci. O primeiro dos quatro lançamentos acontece no próximo dia 23, em Jumirim, cidade que se desmembrou de Tietê, ficando com o palco da tragédia: o sítio Boa Esperança, no bairro Água de Pedra.

Para escrever com todo o realismo possível a tragédia, o escritor José Luiz Meucci revirou arquivos do Judiciário e viajou inclusive à Itália para refazer a trajetória da família – imigrantes italianos que vieram ao Brasil trabalhar nas fazendas de café no final do século 19 e, com muita economia, conseguiram comprar um pequeno sítio, em Tietê. Ali o casal Ricardo Falcin e Maria Tonon Falcin plantaram café e sonharam construir um futuro para os filhos Alba Regina, 13 anos, Joana, 11, Orlando, 9, Anézia, 7, Esther, 4, e o bebê Victório.

Nos arquivos forenses, o autor teve acesso ao volumoso processo e ao estudo psiquiátrico que buscou desvendar a mente do assassino. Entre as revelações trazidas à luz, José Luiz revela a motivação do criminoso: a vingança por ter sido rejeitado ao assediar Maria, a esposa do sitiante, seu padrinho. Conta também detalhes escabrosos, como os estupros da mulher e de uma das meninas após a sequência de assassinatos, com os corpos “em poças de sangue”. E como o assassino, depois do crime, sentou-se friamente à mesa e escreveu uma carta confessando o que fizera, antes de fugir.

O autor narra também a prisão do criminoso, o concorrido julgamento, sua condenação e a longa discussão sobre seu estado mental. O livro aborda ainda o destino de Ricardo Falcin, que no dia da chacina, estava em São Paulo, tratando de sua quase cegueira. Ao viajar, ele havia pedido ao afilhado ‘Mineiro’ que cuidasse da sua família. Os outros lançamentos acontecem em Tietê, no dia 25 próximo, em Laranjal Paulista, no dia 30, e em Cerquilho, no dia 2 de dezembro.

A sepultura das 7 vítimas, no cemitério de Tietê. Foto José Maria Tomazela/Estadão.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.