Projetos de museus criam destinos culturais no interior
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Projetos de museus criam destinos culturais no interior

José Tomazela

09 de outubro de 2013 | 13h52

O paulista do interior acostumado a se organizar em excursões para visitar os grandes museus da capital está próximo de ter boas razões para inverter o destino. Cinco cidades consideradas pólos econômicos  – Campinas, Sorocaba, Piracicaba, Ribeirão Preto e Botucatu – estão desenvolvendo projetos museológicos diferenciados, com conteúdo para atrair os públicos mais diversos, inclusive o jovem. A maioria dos projetos tem à frente a iniciativa privada ou a sociedade civil, embora com apoio do poder público.

O maior será em Campinas, que vai abrigar o Museu Brasileiro do Transporte, orçado em R$ 90 milhões. Com previsão de inauguração no final de 2014, o museu abordará todas as modalidades de transporte – aéreo, ferroviário, rodoviário, marítimo e hidroviário – devendo se tornar referência mundial. “Diferentemente da maioria dos museus, que adaptaram o espaço de edifícios históricos já existentes, este prevê uma sede especialmente concebida para seu conteúdo, com projeto arquitetônico inovador e todos os recursos atuais de tecnologia”, afirma o museólogo Fábio Magalhães.

O museu ocupará área extensa às margens da rodovia D.Pedro I, entre a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Pontifícia Universidade Católica (Puccamp). A Fundação Memória do Transporte, organização da sociedade civil ligada ao sistema CNT – Confederação Nacional do Transporte, teve o projeto aprovado pelo Ministério da Cultura para captação de recursos através da Lei Rouanet.

ENGENHO – Piracicaba terá o Museu da Cana-de-Açúcar instalado em três edifícios do conjunto arquitetônico do Engenho Central, inaugurado em 1881, na margem do rio que dá nome à cidade. O Instituto Brasil Leitor (IBL) e o Instituto Brasileiro de Gestão Cultural fizeram captação de recursos e as obras foram iniciadas, com previsão de conclusão no final de 2014. Grandes empresas locais são patrocinadoras do projeto. “O museu de Piracicaba será diferente do Museu do Açúcar de Sertãozinho, pois abordará o etanol e as novas energias, apontando para o futuro”, disse Magalhães.

O ex-curador do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e da Pinacoteca participa desses projetos e também da instalação do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) no conjunto da estação da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), datado de 1875. Com a proposta de ser parada obrigatória para acervos itinerantes e manter uma agenda dinâmica de exposições, o museu reúne também acervo próprio com mais de duzentas peças, quase todas doadas. O Macs já funciona, mas estará completo em 2014, quando terminar a restauração do prédio.

PINACOTECA – A prefeitura de Botucatu contratou a empresa que irá adequar o edifício do antigo Fórum para receber a primeira filial da Pinacoteca do Estado no interior. O restauro do edifício de 2,8 mil m2 vai custar R$ 10 milhões e inclui o paisagismo no entorno. A Pinacoteca terá salas de exposições temporárias e de longa duração com a utilização de obras da reserva técnica da matriz paulistana e de acervo próprio, incluídas as 300 obras do Museu de Arte Contemporânea Itajahy Martins, que ocupará o mesmo prédio.

O Instituto Figueiredo Ferraz, em Ribeirão Preto, aberto há apenas dois anos, já tem projeto de ampliação. O museu abriga um acervo com mais de 800 peças reunidas pelo colecionador de arte João Carlos de Figueiredo Ferraz. São esculturas, pinturas, instalações e fotografias, num espaço de 1,8 mil m2 de área para exposição. “É algo inédito e raro no Brasil uma pessoa comprar o terreno, construir o prédio e colocar um acervo extraordinário como esse à disposição do público”, disse o museólogo.

Programas da Secretaria da Cultura do Estado incentivam a interiorização dos museus. “O Estado percebeu que há uma concentração de equipamentos culturais na cidade de São Paulo e vem investindo para criar uma base mais sólida nas cidades do interior”, disse Magalhães. Ele observa um crescente interesse da população jovem pelos museus, que têm registrado um aumento de visitação nos últimos anos. A recente ascensão das classes sociais despertou também o interesse pelo consumo intelectual. “Esse novo consumidor passou a frequentar cinema, livrarias e ambientes culturais como os museus”, disse.

 

Perspectiva do Museu do Transporte em Campinas

Perspectiva do Museu do Transporte em Campinas