Projeto usará satélite para monitorar 2 mil hectares da Serra do Japi em Jundiaí
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Projeto usará satélite para monitorar 2 mil hectares da Serra do Japi em Jundiaí

José Tomazela

08 de fevereiro de 2022 | 18h20

Entes do setor privado, poder público e organizações da sociedade civil se uniram para conservar uma área equivalente a dois mil campos de futebol, na Serra do Japi, em Jundiaí. Embora tenha sido declarada Reserva Biológica por lei municipal, seja responsável pela formação de nascentes que abastecem os rios da região, e abrigue importante fauna e flora, a serra vem sofrendo com o avanço da especulação imobiliária, invasões e, principalmente, incêndios florestais.

O projeto “Olhos de Serra” utilizará satélites e câmeras para monitorar 2.071 hectares do maior remanescente metropolitano da Mata Atlântica. Com área total de 35 mil hectares, a serra está encravada entre as regiões metropolitanas de Campinas e São Paulo, a região mais urbanizada do País.

O projeto é conduzido pelo Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (Consórcio PCJ) e a Associação dos Amigos dos Bairros de Santa Clara, Vargem Grande, Caguassu e Paiol Velho (SAB Santa Clara), com patrocínio da Coca-Cola Foundation. Tem, ainda, apoio da prefeitura, da Fundação Serra do Japi e da Global Environment & Techonology Foundation.

A assinatura do contrato de patrocínio e o planejamento das ações aconteceram no dia 23 de novembro passado. Em 1.o de fevereiro deste ano, foi discutido o calendário de atividades. Nesta quarta-feira, 9, acontecerá um encontro com proprietários rurais do entorno para discutir o pagamento por serviços ambientais, uma das ferramentas para a preservação da floresta.

Uma grande mobilização de líderes comunitários para auxiliar na monitoria do projeto está prevista para 22 de março, Dia Mundial da Água. Será também o lançamento oficial do projeto para a população de Jundiaí e cidades do entorno, como Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva e Cajamar.

Apesar de ser uma Unidade de Proteção Integral, existem trilhas usadas para visitação que extrapolam os limites de uso. Já se observa também a proximidade de atividades agropastoris e de silvicultura no entorno, causando problemas relacionados ao uso inadequado do solo e maior incidência de queimadas.

REGIÃO SECA – De acordo com o Consórcio PCJ, a região onde está localizada a reserva possui uma disponibilidade hídrica abaixo de 1.000 m3 por habitante ao ano, o que a caracteriza como região de estresse hídrico. Conservar as nascentes da Serra do Japi é indispensável para o futuro do abastecimento local e de municípios vizinhos.

Um comitê de engajamento vai acompanhar as atividades que serão realizadas, bem como recolher sugestões e promover a solução de eventuais conflitos na área, além de buscar mais parceiros para a continuidade do projeto, que deve ser concluído em novembro de 2022. A fase de diagnóstico prevê o mapeamento por satélite das nascentes da região, usando tecnologia fornecida por uma parceria com o Instituto Cerrados. O mesmo sistema vai monitorar as áreas vulneráveis para invasões, desmatamentos e incêndios.

A Serra do Japi tem um forte potencial para o turismo rural e ambiental, mas não existe, atualmente, acompanhamento dos impactos dessa visitação. O projeto propõe um turismo mais sustentável para a serra, com a instalação de placas de sinalização e sensibilização, buscando aproximar a comunidade deste olhar mais conservacionista.

Serra do Japi ganha projeto de conservação. Foto Rodrigo Palladino/Divulgação.

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