Plano prevê reativação de 2,5 mil km de ferrovias inoperantes no estado de SP
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Plano prevê reativação de 2,5 mil km de ferrovias inoperantes no estado de SP

José Tomazela

02 de maio de 2022 | 10h15

Um grupo de estudos recém-criado pelo governo estadual prevê a reativação do transporte de passageiros e de cargas em 2,5 mil quilômetros de rodovias que atualmente estão inoperantes no Estado de São Paulo. O Grupo de Trabalho Ferrovias de São Paulo já realiza reuniões técnicas com prefeitos e entidades do setor ferroviário para definição dos trechos que podem voltar a receber trens.

A iniciativa faz parte do Plano Estratégico Ferroviário do Estado de São Paulo, resultado de estudos realizados pela Secretaria de Logística e Transportes do Estado para alavancar o transporte sobre trilhos. Conforme o secretário João Octaviano Machado Neto, o resgate do transporte ferroviário, especialmente de curta distância, favorece o desenvolvimento regional e o turismo. Um levantamento do grupo de trabalho mostrou que a malha ativa de trilhos em São Paulo, com 2.390 quilômetros, é 46% menor do que aquela inoperante, com baixa capacidade ou ociosa, que chega a 2.530 quilômetros (54%).

Mapa da SLT mostra ferrovias ativas e inoperantes em SP.

Uma lei federal aprovada no ano passado permite o deslocamento pelas estradas de ferro através de shortlines (linhas de trajeto curto) a custo menores que os atuais e sob responsabilidade compartilhada com estados e municípios – até então o controle era exclusivo da União. Para se adequar à lei federal, o governo paulista enviou um projeto de lei à Assembleia Legislativa e aguarda a aprovação.

O secretário acredita que o modal ferroviário complementa os sistemas hidroviário e rodoviário, com a vantagem de ser mais sustentável em relação a este último, por emitir menos gases poluentes. Um trem com duas locomotivas e 96 vagões pode transportar 8,4 mil toneladas de cargas, equivalentes à carga de 220 caminhões bitrens. O projeto ajudaria a desafogar o tráfego rodoviário no entorno das grandes cidades, como a capital paulista e Campinas.

O plano da Secretaria é conceder autorização às empresas interessada em transporte de cargas por trilhos. Em contrapartida, essas empresas ficariam responsáveis pela recuperação e manutenção do trecho a ser usado durante a vigência do contrato. As empresas assumiriam compromissos de recuperar ferrovias abandonadas, acabar com ‘cemitérios’ de vagões e, em alguns casos, retirar trilhos das áreas urbanas.

Ferrovia de Campos do Jordão tem trecho desativado. Foto Epitácio Pessoa/Estadão.

HISTÓRIA – No último dia 30, completaram-se os 168 anos da inauguração da primeira ferrovia do Brasil. Inaugurada pelo imperador D. Pedro II em 1854, com 14 km de extensão, a linha férrea ligava o Rio de Janeiro a Petrópolis. Em São Paulo, a primeira linha foi a Santos-Jundiaí, construída pela São Paulo Railway, que passou a operá-la em 1867.

As ferrovias tiveram papel fundamental no desenvolvimento do país, ajudando principalmente na expansão da lavoura do café, principal produto exportado pelo Brasil entre o século 19 e o início do século 20. Ajudou também a industrialização do estado de São Paulo e de outros estados brasileiros. Muitas cidades do interior de São Paulo surgiram ou se desenvolveram após a chegada dos trilhos.

Em 1950, os trens eram o principal meio de transporte entre as duas maiores cidades do país – São Paulo e Rio de Janeiro. A ponte aérea entre as duas capitais só surgiu em 1959. No início, as ferrovias foram empreendidas pela iniciativa privada – no caso de São Paulo, empresários e grandes produtores de café. Entre as décadas de 1970 e 1990, muitas foram estatizadas, como as ferrovias paulistas, incorporadas pela Fepasa.

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