Noroeste paulista tem aumento de 220% em doação de órgãos
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Noroeste paulista tem aumento de 220% em doação de órgãos

José Tomazela

27 de abril de 2016 | 18h45

O número de doadores potenciais de órgãos e tecidos aumentou 220% nos últimos seis anos na região noroeste do Estado de São Paulo. O Hospital de Base de São José do Rio Preto, referência para doações na região, registrou 160 notificações de potenciais doadores em 2015, contra 50 em 2009, quando foi iniciado um trabalho de busca ativa de doações. O número de notificações do hospital é maior que o de 14 Estados brasileiros. O índice de recusa familiar é menor que as médias estadual e nacional.
De acordo com a assessoria de imprensa do hospital, o aumento decorre do trabalho da Organização de Procura de Órgãos (OPO) do hospital, que atua junto a outras 12 unidades hospitalares da região. De acordo com o diretor clínico João Fernando Pícollo, coordenador da OPO, profissionais de todas as instituições foram capacitados e treinados para identificar e notificar possíveis doadores.
Com isso, o trabalho de captação de órgãos, antes concentrado no Hospital de Base, agora está distribuído entre as demais unidades. “Antes o HB respondia por 99% dos órgãos notificados. Agora, as cidades vizinhas obtêm quase 50% dos potenciais doadores”, explicou. O fato de o Hospital de Base possuir centros de referência em transplantes também motiva as famílias da região a decidirem pela doação.
De acordo com o médico nefrologista Horário José Ramalho, a maior visibilidade que ganharam as histórias de famílias que decidem pela doação e os transplantes realizados com sucesso nas unidades hospitalares motivam os potenciais doadores. “A proximidade com essas pessoas vai eliminando os preconceitos que existem sobre a doação de órgãos e tecidos”, disse. Entre os hospitais que mais notificam estão os de Catanduva e Araçatuba, cidades de importância regional. Em Araçatuba, por exemplo, a Santa Casa, que havia feito apenas três notificações em 2014, chegou a 27 em 2015.
O trabalho feito pela OPO reduziu também o índice de rejeição familiar às doações. Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), em alguns Estados, como Sergipe, Mato Grosso, Rondônia e Maranhão, esse índice chega a 70%. Na região noroeste de São Paulo, a rejeição é de 25% em média, ou seja, de 10 famílias entrevistadas, entre 7 e 8 aceitam a doação de órgãos. De acordo com Ramalho, a abordagem adequada é essencial. “Além das pessoas estarem mais sensíveis à doação, o preparo desses profissionais ao entrevistar a família faz toda diferença.”
Enquanto o Hospital de Base de Rio Preto teve 160 notificações de possíveis doadores em 2015, em 14 Estados o número não atingiu esse valor: Acre (61), Alagoas (53), Amapá (0), Amazonas (126), Maranhão (137), Mato Grosso (58), Mato Grosso do Sul (133), Paraíba (142), Piauí (85), Rio Grande do Norte (157), Rondônia (62), Roraima (13), Sergipe (100) e Tocantins (20).

Hospital de Base, referência em doações de órgãos.

Hospital de Base, referência em doações de órgãos.