MPF aciona município para restaurar estação de 1909 em Itapeva
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MPF aciona município para restaurar estação de 1909 em Itapeva

José Tomazela

29 de junho de 2015 | 20h08

Depois de constatar que a estação ferroviária de Itapeva, no sudoeste paulista, edificada em 1909 pelo arquiteto Ramos de Azevedo, corre risco de desabar, o Ministério Público Federal (MPF) entrou com ação civil pública contra o município e órgãos da União para que sejam obrigados a restaurar e conservar o patrimônio. O conjunto arquitetônico, incluindo a estação e armazéns, é tombado pelo patrimônio histórico municipal, mas está em ruínas, segundo o MPF.

A estação fazia parte da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) e os trilhos chegaram à cidade em 1905, quando o prédio ainda estava em obras. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, em que os paulistas se rebelaram contra o governo provisório de Getúlio Vargas, a estação era um dos pontos de parada dos famosos trens blindados que levavam tropas, armas e munição para as frentes de combate. A America Latina Logística (ALL) transferiu as construções ao Ministério dos Transportes, que os colocou sob a guarda do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

O MPF pede liminar à Justiça Federal para obrigar a União a acelerar a transferência, e a prefeitura, a adotar providências imediatas para limpar e proteger os prédios, interrompendo a deterioração. A prefeitura informou ter interesse na restauração dos prédios para abrigar um museu da ferrovia e o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Itapeva. Sem recursos para custear o restauro, o município planeja obter verbas através das leis de incentivo à cultura, além de apoio dos governos estadual e federal. A Secretaria de Patrimônio a União (SPU) informou que a transferência dos bens à prefeitura depende apenas de “trâmites burocráticos”.

 

Estação de Itapeva em 1912

Estação de Itapeva em 1912

 

Estado atual do prédio, em ruínas

Estado atual do prédio, em ruínas

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