Mini-pantanal paulista vira área de proteção ambiental em Piracicaba
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Mini-pantanal paulista vira área de proteção ambiental em Piracicaba

José Tomazela

31 Dezembro 2018 | 11h41

Uma região de várzeas do Rio Piracicaba conhecida como mini-pantanal paulista, devido à semelhança com o ecossistema do Pantanal brasileiro, foi transformada em Área de Proteção Ambiental (APA) pelo governo estadual, em Piracicaba. A medida, publicada no último dia 22, atendeu a reivindicações de ambientalistas e do Ministério Público de São Paulo. A área, conhecida como Várzeas do Tanquã, corria o risco de ser coberta pelas águas de uma represa que o próprio governo pretendia construir na região, em projeto de ampliação da Hidrovia Tietê-Paraná.
O território protegido, de 14 mil hectares, fica entre os municípios de Piracicaba, Anhembi, Botucatu, Santa Maria da Serra e São Pedro. A área é contígua à APA do Barreiro Rico, outra unidade de conservação, com 30 mil hectares, criada também por decreto governamental.
Conforme levantamento de fauna feito por biólogos, as várzeas do Tanquã abrigam 170 espécies de aves nativas e migratórias, entre elas espécies típicas do Pantanal, como tuiuiús, biguás e cabeças-secas. Entre os animais, foram avistados exemplares de onça-parda, ratão-do-banhado, ariranha e veado. Nas matas do Barreiro Rico vivem famílias de monos-carvoeiros, espécie ameaçada de extinção.
Segundo o decreto, a preservação da unidade garantirá melhoria da qualidade das águas do Rio Piracicaba, além de conservar o ecossistema, considerado um santuário ecológico. Em 2013, o Departamento Hidroviário (DH) da Secretaria de Logística e Transportes do Estado, entrou com pedido de licenciamento ambiental para construir uma barragem no Piracicaba. A obra elevaria em 5,5 m o nível do rio, permitindo a extensão da hidrovia à região de Piracicaba. A formação do lago, no entanto, faria com que toda a região do Tanquã ficasse coberta pelas águas.
Ambientalistas se mobilizaram contra o projeto, que virou alvo de inquérito civil público aberto pelo Grupo de Atuação Especial em Defesa do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público Estadual, em Piracicaba. Em março de 2017, o DH pediu a suspensão do processo de licenciamento “por tempo indeterminado”.
A criação da APA barra uma possível retomada do projeto, mas não impede a exploração sustentável da região, inclusive para o turismo, segundo a presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba, Iraci Honda. “É uma conquista da sociedade civil, que se mobilizou em defesa da preservação ambiental. Agora o Tanquã está em paz”, disse.

Aves típicas do Pantanal vivem no Tanquã, em Piracicaba. Foto Instituto Aimara.