Lei amplia proteção às pegadas de dinossauros em calçadas de Araraquara
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Lei amplia proteção às pegadas de dinossauros em calçadas de Araraquara

José Tomazela

26 de março de 2019 | 08h57

A prefeitura de Araraquara anuncia oficialmente nesta quarta-feira (27) uma nova medida de proteção às pegadas de dinossauros encontradas em calçadas com pedras de arenito, nas ruas da região central. Aprovada por unanimidade pela Câmara de Vereadores e publicada no último dia 21 na imprensa oficial, a lei prevê que qualquer serviço de reforma ou alteração no calçamento precisa ser avaliado pela prefeitura antes de ser executado. O descumprimento sujeita o infrator a processo por dano ao patrimônio histórico, além de multa no valor de R$ 553.
A proteção abrange vários quilômetros de calçadas na região central, incluindo a rua Voluntários da Pátria (Rua 5), transformada em museu a céu aberto, o Boulevard dos Oitis e o calçamento do Parque Infantil. Conforme a lei, em caso de obra necessária, as pedras de arenito avaliadas como patrimônio relevante, por conterem marcas do período jurássico, serão retiradas e destinadas ao Museu de Arqueologia e Paleontologia de Araraquara.
As pesquisas revelaram que os rastros foram deixados pelos dinossauros e outros bichos que há 140 milhões de anos habitaram o interior de São Paulo. De acordo com a autora do projeto, vereadora Juliana Damus (Progressistas), o objetivo é proteger um patrimônio ainda desconhecido por muitos moradores da cidade. “Uma parte significativa desse acervo já se perdeu em reformas de calçadas, pois as pessoas desconheciam seu valor.”
Conforme a prefeitura, cerca de mil pegadas de animais pré-históricos foram identificadas em levantamento feito pela Universidade Federal de São Carlos (Ufscar). Os rastros foram descobertos em 1976 pelo paleontólogo a padre italiano Giuseppe Leonardi, durante sua passagem pela cidade.
O paleontólogo Marcelo Adorna Fernandes, professor da Ufscar, conta que, no período de transição entre o jurássico e o cretáceo, a região de Araraquara fazia parte de um imenso deserto em que havia um oásis onde circulavam animais pré-históricos, como os dinossauros carnívoros, que caminhavam sobre as patas traseiras, deixando pegadas de três dedos. Os rastros foram cobertos pela areia que, em evento vulcânico posterior, foi petrificada pela lava, transformando-se na rocha conhecida como Arenito Botucatu.
As placas desse arenito foram retiradas de uma pedreira, ainda na primeira metade do século passado, e usadas para recobrir as calçadas da região central de Araraquara. Uma parte desse material também foi usada para calçamento em São Carlos, cidade da região.
Outras placas foram levadas para revestir as calçadas do Zoológico de São Paulo, na capital, quando ainda se desconhecia a presença dos rastros pré-históricos. As pegadas de dinossauros carnívoros e herbívoros (ornitópodes) foram identificadas, posteriormente, em 31 placas de arenito usadas no calçamento do zoo.

Pegada de dinossauro em calçada de Araraquara. Foto Estadão