Laboratório dá suporte científico à restauração de cruzeiro franciscano em Itu
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Laboratório dá suporte científico à restauração de cruzeiro franciscano em Itu

José Tomazela

15 de outubro de 2021 | 11h51

As obras de restauração do Cruzeiro Franciscano, localizado na Praça Dom Pedro I, no centro histórico de Itu, estão produzindo novas técnicas e conhecimentos inéditos que podem ser aplicados em outros restauros do patrimônio brasileiro. Cada pedaço de rocha retirado do local é analisado em um laboratório para o preparo de materiais como areias, pigmentos, argamassas de diversas composições. Essa análise dá suporte científico para que seja utilizada a composição mais compatível com a estrutura bicentenária do cruzeiro.

Os estudos e testes indicam o material mais adequado a ser utilizado no preenchimento de fendas, buracos, rachaduras e perdas que, no conjunto, afetam a aparência e a estabilidade física do monumento. “Todo esse conhecimento é registrado nos relatórios técnicos que ficam disponíveis para estudos e acaba formando um corpo de informações que melhora o patrimônio cultural do Brasil”, disse Júlio Moraes, um dos responsáveis técnicos pelo restauro e proprietário da empresa que realiza a obra.

Construído em 1795, talhado em rocha com cerca de 9 metros, o cruzeiro integrava o conjunto arquitetônico franciscano, sendo o único remanescente ainda em pé. O monumento foi tombado pelo patrimônio histórico estadual em 2003, junto com o centro histórico de Itu, também tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O pedestal e a cruz foram construídos em arenito, oriundo da região de Sorocaba, e varvito de Itu, rocha sedimentar do período glacial. “O que está sendo feito no cruzeiro é estudar e produzir conhecimento em cima de uma rocha que só existe em Itu”, disse Moraes.

Cada intervenção dos restauradores exige cuidados e tentativas que, muitas vezes, resultam em valiosas descobertas. “A cada processo percebemos a riqueza que o nosso Cruzeiro Franciscano possui. Os elementos, as técnicas e a genialidade que foram exigidas na época da construção ainda causam perplexidade nos profissionais envolvidos. O nosso trabalho é promover essas informações para que mais pessoas percebam a joia que Itu possui dentro do patrimônio histórico paulista e brasileiro”, disse a secretária municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, Maitê Velho. As obras estão na reta final e podem ser concluídas ainda este ano.

Conforme revelou o Estadão, o Cruzeiro Franciscano de Itu é um dos três únicos trabalhos documentados ainda existentes do mestre pedreiro Joaquim Pinto de Oliveira, o Tebas, construtor negro responsável por importantes obras paulistas do século 18. Tebas foi um escravo que comprou sua própria liberdade após ganhar uma ação judicial. Além do cruzeiro ituano, são dele também as fachadas das Igrejas da Ordem Terceira do Carmo, na avenida Rangel Pestana, e das Chagas do Seráphico Pai São Francisco, no Largo São Francisco, ambas na capital.

Restauro de cruzeiro produz conhecimento científico em Itu. Foto Renata Guarnieri/Prefeitura de Itu.

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