Itu inicia estudos para tornar centro histórico patrimônio mundial pela Unesco
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Itu inicia estudos para tornar centro histórico patrimônio mundial pela Unesco

José Tomazela

06 de setembro de 2021 | 16h33

Uma das mais tradicionais cidades paulistas, Itu quer o reconhecimento de seu centro histórico como patrimônio cultural mundial pela Unesco. Pesquisas recentes mostraram que parte do urbanismo preservado foi concebida seguindo a matriz das Ordenações Filipinas dos séculos 16 e 17. O código filipino resultou da reforma do código manuelino por Felipe II de Espanha (Felipe I de Portugal) durante o domínio castelhano na península ibérica e nos territórios ultramarinos.
O estudo apontou evidências de que o desenho urbanístico do centro histórico de Itu tem traçado característico da matriz filipina, algo inédito no coração da América portuguesa. No dia 27 de agosto, os estudos foram apresentados ao cônsul da Espanha em São Paulo, Miguel Gomes de Aranda y Villén.
Na ocasião, o cônsul examinou cópias de mapas e outros documentos que atestam a relação histórica com as ordenações espanholas. Muitos desses documentos foram obtidos durante pesquisas em arquivos da Ordem Franciscana, na capital, para orientar as obras de restauração do Cruzeiro Franciscano, em Itu. Edificado em 1795, o cruzeiro remete ao período de vigência do código filipino.
O pleito é de que a Espanha ofereça suporte ao reconhecimento da cidade como patrimônio mundial pela Unesco. Os documentos encontrados reforçaram também a importância de Itu para a formação cultural e política do país, bem como para a economia do estado de São Paulo.
Técnicos da Secretaria da Cultura e Patrimônio Histórico do município preparam a proposta da candidatura, que deverá acontecer em parceria com o Estado e a União. Ainda não há data prevista para a apresentação da candidatura, já que o processo é minucioso e requer farta documentação.
TOMBADO – O centro histórico de Itu, com cerca de 240 construções dos séculos 18 e 19, é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) de São Paulo desde 1989. Imóveis como a Igreja de Nossa Senhora da Candelária, que teve origem na fundação da cidade, em 1610, também são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O patrimônio cultural mundial é composto por monumentos, grupos de edifícios ou sítios que tenham excepcional e universal valor histórico, estético, arqueológico, científico, etnológico ou antropológico.
Desde a convenção para a proteção do patrimônio mundial cultural e natural, em 1972, a Unesco tem a atribuição de reconhecer que alguns lugares da terra são de “valor universal excepcional” e devem fazer parte do patrimônio comum da humanidade. O Brasil aderiu à convenção em 1977 e possui atualmente 22 bens inscritos na lista do patrimônio mundial.
A cidade histórica de Ouro Preto (MG), os centros históricos de Olinda (PE), Salvador (BA), Diamantina (MG), Cidade de Goiás (Go) e São Luís (MA), além das ruínas jesuíticas de São Miguel das Missões (RS) são exemplos de bens brasileiros já transformados em patrimônio mundial pela Unesco.
O Plano Piloto de Brasília, o Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte, e o sítio Paraty e Ilha Grande, no Rio, também estão nessa lista. No estado de São Paulo, a Vila da Paranapiacaba, em Santo André, já é candidata oficial a entrar na lista da Unesco. Além de Itu, a cidade de Iguape, no litoral sul paulista, também já iniciou processo para uma possível candidatura.

Igreja matriz é marco da fundação de Itu. Foto Prefeitura de Itu/Divulgação.

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