Floresta petrificada de 270 milhões de anos é pesquisada no interior
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Floresta petrificada de 270 milhões de anos é pesquisada no interior

José Tomazela

04 de outubro de 2013 | 16h08

 

Há 270 milhões de anos, quando os continentes sul-americano e africano ainda eram um só, o chamado Gondwana, a vegetação onde fica hoje o Estado de São Paulo era formada por árvores ancestrais dos atuais pinheiros e araucárias. Algumas perdiam as folhas em certa época do ano, como ocorre atualmente. Foi a conclusão a que chegou o paleobotânico Rafael Souza de Faria em tese defendida em junho deste ano no Instituto de Geociências da Unicamp, sob orientação da professora Frésia Soledad Torres Branco.

Para investigar passado tão remoto, Faria vasculhou o solo e encontrou restos de madeira petrificada em sete cidades do interior – Piracicaba, Saltinho, Rio Claro, Santa Rosa do Viterbo, Angatuba, Conchas e Laranjal Paulista (Distrito de Laras). Os lenhos permineralizados, como são chamados, foram cortados e analisados através de microscopia eletrônica. Utilizando estudos botânicos, ele reconstituiu as florestas que cobriam a região.

Durante a pesquisa, o atual professor da Faculdade de Ciências Biológicas da PUC-Campinas fez uma descoberta inédita no Brasil, ao identificar fungos fossilizados junto com a madeira de um dos fósseis. Os fungos podem indicar ter havido um colapso dos ecossistemas durante o período Permiano, pois sugerem a presença de floresta degradada.

Com base nos dados colhidos, ele pode analisar como se caracterizava a vegetação de uma época anterior à dos dinossauros. Parte da pesquisa de Faria foi acolhida para publicação pela Review of Palaeobotany and Palynology, revista internacional de paleobotânica e palinologia (estudos de pólen e esporos fossilizados).

 

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