Filhotes raros de gato-palheiro nascem em ONG ameaçada de despejo em Jundiaí
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Filhotes raros de gato-palheiro nascem em ONG ameaçada de despejo em Jundiaí

José Tomazela

21 de maio de 2021 | 17h07

Dois filhotes de gato-palheiro, espécie ameaçada de extinção, nasceram esta semana em um dos recintos da Associação Mata Ciliar, em Jundiaí. O raro registro acontece em um momento em que a associação, que desde 1987 resgata, recupera e reproduz animais da fauna silvestre, está ameaçada de despejo.
A ONG ambiental foi notificada extrajudicialmente pela concessionária Voa-SP, que administra o aeroporto de Jundiaí, a desocupar a área de 2,98 hectares, equivalente a três campos de futebol, que ocupa ao lado do aeroporto.
Os filhotes passaram por exames veterinários e estão em observação em um habitat do santuário de animais, junto com os pais Kitami e Theodoro. Os recém-nascidos ainda não foram batizados. Em rede social, a Mata Ciliar apresentou os novos moradores e disse que os nascimentos são “um alívio” em meio ao risco dos animais ficarem sem abrigo.
No espaço que a Voa-SP pretende retomar para obras de ampliação do aeroporto vivem cerca de 100 animais, entre eles lobos-guará e onças-pardas, salvos após serem vítimas de atropelamentos. Há ainda animais encontrados feridos por armadilhas ou caçadores.
Um grupo de ativistas se mobilizou em defesa dos animais e realizou uma vigília no local, usando faixas e cartazes de protesto. Logo após a notificação, a empresa iniciou a limpeza do terreno, removendo dezenas de espécies arbóreas, o que gerou protestos também de ambientalistas.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP), através da promotoria de Jundiaí, entrou com representação pedindo explicações à concessionária sobre o corte das árvores.
PERMUTA – A Voa-SP informou que desde 2019 vem discutindo com a Mata Ciliar a devolução do terreno de 2,98 hectares que está dentro de sua área de concessão. A empresa sugeriu a permuta da área e se dispôs a custear todas as obras necessárias para a mudança, inclusive a construção de viveiros.
Apesar das negociações, segundo a Voa-SP, a ONG acelerou obras na área da concessionária, construindo viveiros a 300 m da pista de pouso, colocando em risco a segurança portuária. “A empresa tem constatado diariamente a presença de urubus por conta dos animais silvestres ali presentes”, disse a Voa-SP. A Mata Ciliar, no entanto, nega que seus viveiros atraiam urubus.
Sobre o corte das árvores, a concessionária informou que a supressão foi autorizada pelo departamento de meio ambiente da prefeitura de Jundiaí, visto tratar-se de lucena, espécie exótica. A licença ambiental, segundo o município, só é exigida para remoção de espécies nativas.
A Voa-SP apresentou ainda um auto de inspeção da Cetesb feito no local, após o corte das plantas. A empresa disse que se coloca à disposição para o diálogo, “apoiando ações de suporte à fauna ali existente, assim como todo o meio ambiente”.

Filhote de gato-palheiro nasceu em ONG de Jundiaí. Foto Mata Ciliar/Divulgação.

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