Festa do Senhor Bom Jesus mantém tradição de 370 anos em Iguape
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Festa do Senhor Bom Jesus mantém tradição de 370 anos em Iguape

José Tomazela

27 Julho 2018 | 10h56

Durante nove dias, a partir deste sábado (28), a cidade de Iguape deve receber cerca de 80 mil visitantes para a tradicional festa do Senhor Bom Jesus, uma das mais antigas tradições religiosas do país. De acordo com historiadores, o culto teve início em 1647, quando índios encontraram na praia uma escultura de madeira retratando Cristo. O achado foi seguido por testemunhos de milagres. Como o número de visitantes supera em quase três vezes a população local, de 31 mil habitantes, a prefeitura vai cobrar uma taxa de quem chega em transporte coletivo não oficial.
Para entrar e permanecer na cidade, os visitantes em ônibus de excursão pagarão R$ 276 por veículo, enquanto micro-ônibus, vans, peruas e veículos de lotação devem pagar metade desse valor. A medida está prevista em lei do prefeito Wilson Almeida Lima (PSDB), aprovada em maio pela Câmara. Os ônibus de turismo com reserva prévia em hotéis da cidade estão isentos da taxa. Conforme a prefeitura, a medida visa a disciplinar a ocupação do espaço urbano nos dez dias de festa, quando os moradores locais passam a conviver com uma grande população flutuante .
A festa começa neste sábado (28), com a condução da imagem do Bom Jesus – a original, datada do século 17 – em procissão até a Gruta da Fonte. Outra procissão, com o retorno da escultura ao santuário, encerra as festividades no próximo dia 6. Boa parte dos fiéis chega de bicicleta, a pé ou a cavalo, em romarias que partem de pontos distantes do Estado. Um grupo com 120 ciclistas de Santos percorreu 200 km para chegar à cidade. Romeiros da região de Itapeva fazem o percurso de mais de 240 km a cavalo. Durante as festividades, as ruas se enchem de barracas que servem comidas típicas e vendem o artesanato regional.
NOBEL – Em 1949, o escritor franco-argelino Albert Camus, prêmio Nobel de literatura, visitou o Brasil e incluiu no roteiro a Festa do Bom Jesus de Iguape. No conto “A Pedra que Cresce”, publicado em 1957, o escritor descreve a festa e as manifestações de fé que presenciou durante sua visita de três dias à cidade. Camus foi levado à cidade do litoral sul do Estado pelo também escritor Oswald de Andrade e, sem conseguir vaga em hotel, foi acomodado no Hospital Feliz Lembrança, hoje em ruínas. Ele deixou um registro de sua passagem.
Quem vai a Iguape não deve deixar de apreciar a arquitetura de uma das mais antigas povoações paulistas, fundada em 1538. Além da basílica, inaugurada em 1856, a cidade preserva o maior conjunto de casarões coloniais ainda conservados no Estado de São Paulo. Todo o centro, com cerca de uma centena de imóveis e logradouros, é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional como patrimônio nacional desde 2009.

Centro histórico de Iguape tombado pelo Iphan Foto: Arquivo Iphan

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