Fábrica histórica é penhorada por dívidas em Tatuí
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Fábrica histórica é penhorada por dívidas em Tatuí

José Tomazela

09 Dezembro 2013 | 17h05

 

 

O prédio da Fábrica São Martinho, fundada em 1881 em Tatuí e considerada marco da indústria têxtil no interior paulista, foi penhorada pela Justiça do Trabalho para o pagamento de dívidas trabalhistas. O conjunto, que inclui o Casarão dos Guedes, é tombado pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado de São Paulo, mas está abandonado. O juiz da Vara do Trabalho de Tatuí, Marcus Menezes Barberino Mendes, pretende levar o imóvel a leilão em 2014. O grupo proprietário da fábrica informou que vai saldar o débito para evitar o leilão. O plano é transformar o conjunto num centro cultural.

Conforme o processo de tombamento, datado de 2008, a São Martinho é pioneira entre as indústrias têxteis do Estado e foi constituída a partir de iniciativas envolvendo a acumulação de capital gerado nos setores agrícola e comercial, configuração típica da história empresarial paulista. “Representa local de convívio social e é referência afetiva e de localização, sendo destaque na paisagem urbana de Tatuí”, informa o registro. O tombamento inclui a unidade fabril – o edifício principal e toda quadra em que se situa -, a casa da família proprietária e o conjunto de 39 moradias de trabalhadores.

A fábrica foi desativada no final da década de 1960 e, nos últimos, o conjunto se tornou seriamente ameaçado. O casarão, que já foi invadido e saqueado, está praticamente em ruínas. O dono do imóvel, empresário Jorge Chammas Neto, apresentou em 2011 um projeto para transformar o local num teatro com até mil lugares que homenagearia o maestro João Carlos Martins. A assessoria do empresário informou que o projeto está em curso. Em agosto, o prefeito da cidade, José Manoel Corrêa Coelho (PMDB), reuniu-se com Chammas Neto para discutir a proposta.

A tecelagem tornou Tatuí referência no setor têxtil no País junto com Sorocaba que, à mesma época, inaugurou a Fábrica Nossa Senhora da Ponte, berço da Companhia Nacional de Estamparia (Cianê), durante muitos anos o maior conglomerado têxtil do Brasil. Essas indústrias tiveram influência na construção da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), que chegou a Sorocaba em 1875, sendo estendida nos anos seguintes a Tatuí. O algodão era conhecido como “ouro branco”, mesmo apelido do mais famoso trem de passageiros da Sorocabana. A São Martinho foi a primeira indústria têxtil movida e energia elétrica do País e seus donos, Martinho e Manoel Guedes, hospedaram em seu casarão o imperador Pedro II.

 

Casarão dos Guedes integra o conjunto tombado