Expedição avista primatas ameaçados de extinção em reserva de Anhembi
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Expedição avista primatas ameaçados de extinção em reserva de Anhembi

José Tomazela

30 de janeiro de 2020 | 19h22

Uma expedição de especialistas e pesquisadores encontrou três espécies de primatas ameaçados de extinção na Área de Proteção Ambiental (APA) do Barreiro Rico, no município de Anhembi. Durante a visita, realizada no dia 22 de janeiro, os primatólogos conseguiram avistar exemplares de muriqui-do-sul, também conhecido como mono-carvoeiro, de bugio-ruivo e do sagui-da-serra-escuro, todos muito ameaçados devido a desmatamentos, incêndios e caça predatória.
Outras espécies menos raras de primatas, como o macaco-prego e o sauá também já foram registradas nessa floresta.
A expedição, promovida pela Fundação Florestal, teve a participação do primatólogo Russel Mittermeier, diretor da Global Wildlife Conservation, e da antrópologa Karen Strier, presidente da Sociedade Internacional de Primatologia, além de representantes da Operação Primatas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
Depois da visita, foi realizado um debate sobre a necessidade de quantificar os primatas que vivem na Estação Ecológica Barreiro Rico, que fica dentro da APA. Também se discutiu a importância de preservar esse importante habitat do mono-carvoeiro e do mico-leão-preto, espécies criticamente ameaçadas. O mico-leão não chegou a ser avistado, mas há registros seguros de sua presença na área. Para isso, é necessário fazer a conectividade das florestas da região, através de corredores, o que exige o envolvimento das comunidades, prefeituras e proprietários rurais do entorno.
CORTA-FOGO – Pela sua importância na preservação da fauna, flora e rios da região, a Fundação Florestal tornou as unidades de Barreiro Rico um polo da Operação Corta-Fogo, do governo estadual. Para evitar os incêndios, foram abertos aceiros – faixas sem vegetação – nos limites das reservas. A fundação pretende instalar hospedagem para pesquisadores na estação ecológica.
A APA Barreiro Rico foi criada em 2006 e possui 292 hectares. Além de espécies emblemáticas da flora, como peroba-rosa, pau-marfim, jatobá e copaíba, a floresta abriga fauna relevante, como onça-parda, irara, veado, lobo guará, grande variedade de primatas e centenas de espécies e aves.
Nos últimos anos a reserva foi atingida por incêndios e esteve ameaçada pelo projeto de construção de uma barragem no Rio Piracicaba, que inundaria parte de seu território. A APA Barreiro Rico fica próxima da confluência do Piracicaba com o Rio Tietê. Em 2018, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), órgão da pasta estadual do Meio Ambiente, aprovou a criação da APA Tanquã-Piracicaba, ampliando as áreas protegidas nessa região.

A APA do Barreiro Rico é habitat de primatas ameaçados de extinção. Foto SIMA/Divulgação

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