Com estação seca no início, água já é racionada em Bauru e Rio Preto
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Com estação seca no início, água já é racionada em Bauru e Rio Preto

José Tomazela

11 de maio de 2021 | 13h26

Depois de um período úmido com menos chuvas que o esperado, o início da estação seca já causa restrições no abastecimento em algumas das principais cidades do interior de São Paulo, como Bauru e São José do Rio Preto. No final de abril, o Consórcio PCJ, que monitora as vazões dos rios nas regiões de Piracicaba, Campinas e Jundiaí, emitiu alerta aos municípios da região devido à escassez de chuvas.
No primeiro trimestre de 2021, as chuvas ficaram 20% abaixo da média histórica, situação que se manteve no mês de abril. O risco é de maior impacto no abastecimento urbano, que já acontece em algumas cidades.
Em Rio Preto, o Serviço Municipal Autônomo de Água e Esgoto (Semae) inicia nesta quarta-feira, 12, o racionamento em 15 microrregiões abastecidas pela sua principal estação de tratamento. A restrição vai atingir cerca de 100 mil pessoas. A paralisação no fornecimento irá das 13 às 20 horas. A seca causou redução no nível da represa que abastece a cidade – o vertedouro está paralisado e a captação, agora feita no lago 3, foi reduzida de 450 litros para 300 litros por segundo. A última chuva, no dia 19 de abril, não passou de um chuvisco de 0,2 milímetros.
Conforme o Semae, nos primeiros quatro meses deste ano choveu 45% menos que no mesmo período do ano passado. A região registra menos chuvas há quatro anos.
RODÍZIO – A mesma situação acontece em Bauru, onde o rodízio foi adotado em meados de abril. O centro e outros 40 bairros recebem água durante 24 horas e ficam outras 24 sem abastecimento. As manobras de reversão acontecem à zero hora de cada dia.
Conforme o Departamento de Água e Esgoto (DAE) a medida foi necessária para recuperar o nível da lagoa de captação do Rio Batalha. O rodízio pode ser estendido para outros bairros, caso haja consumo excessivo, já que não há previsão de chuvas. O DAE informou que investe em obras para minimizar o impacto da falta de água nas regiões abastecidas pelo Rio Batalha, como a interligação de reservatórios, construção e reativação de poços.
De acordo com o Consórcio PCJ, as chuvas tornam-se menos frequentes em maio e seguem escassas até setembro. São os cinco meses mais secos do ano, reduzindo também a capacidade de recuperação dos reservatórios.
A entidade alerta os municípios no sentido de iniciar campanhas junto à população para adotar o uso racional e sustentável da água. Além da conservação dos mananciais, os reservatórios devem passar por revisão para evitar perdas. Também recomenda ampliar a reserva de água com a construção de cisternas ou em reservatórios pré-fabricados.
O PCJ ressalta a necessidade de acelerar projetos de grandes reservatórios, como os de Pedreira, Duas Pontes, Piraí e Corumbataí, todos na região entre Jundiaí e Piracicaba.

Água já não verte na Represa de Rio Preto. Foto Semae/Divulgação

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