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Com 480 anos, Iguape preserva maior conjunto de construções coloniais do Estado

José Tomazela

03 Dezembro 2018 | 11h11

Uma sessão solene na Câmara Municipal, às 17 horas desta segunda-feira (3), marca os 480 anos de fundação de Iguape, no litoral sul paulista. A cidade é a quarta mais antiga do Estado de São Paulo, 17 anos mais velha do que a capital. Com 1,9 mil km2, é também o município paulista com a maior extensão territorial. Como tem apenas 30,2 mil habitantes, a densidade populacional é uma das mais baixas, com 15,3 moradores por km2. A densidade média do Estado é de 177,4 habitantes por km2.
Iguape foi um importante centro econômico durante o período colonial e preserva as construções da época. O centro histórico é o primeiro conjunto urbano do Estado a ser protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), em 2011, como Paisagem Cultural.
O casario apresenta características do urbanismo português, com casas, sobrados e outras edificações que remontam ao período da exploração do ouro, no século 16, atividades ligadas à construção naval, no século 18, e da cultura do arroz, no século 19. A imigração japonesa para a região, no início do século 20, também influenciou a cultura e as técnicas construtivas.
Além do centro, o tombamento atinge o antigo sistema portuário fluvial e marítimo, o Canal do Valo Grande, o Mar Pequeno e o Morro da Espia. O canal foi construído para a passagem de barcos com arroz até o porto, mas resultou no assoreamento do Mar Pequeno e no fechamento do porto.
Entre os edifícios preservados, destacam-se a Casa de Fundição, onde era processado o ouro resultante da mineração, e a Basílica do Senhor Bom Jesus, construída ao fim do século 18 em pedra portuguesa, argamassa e óleo de baleia. A basílica é um dos principais destinos do turismo religioso no Estado.
Alguns pesquisadores atribuem a fundação da cidade a um aventureiro espanhol, Ruy Garcia Moschera, que vivia na região em 1498, antes da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil. Por volta de 1502, o degredado português Cosme Fernandes, conhecido como ‘Bacharel de Cananéia’ também se apossou de terras na Iguape de hoje, construindo uma capela, em 1537. A fundação oficial, no entanto, foi estabelecida em 3 de dezembro de 1538, quando Iguape se separou de Cananéia.
A presença humana na região remonta aos ‘homens do sambaqui’, povos primitivos que viveram ali há 5 mil anos, antes mesmo da chegada de índios de culturas mais avançadas. Esses povos se alimentavam de ostras e mariscos, cujos restos eram lançados num mesmo local, formando os sambaquis, hoje importantes sítios arqueológicos.

Centro histórico de Iguape. Foto Portal Iphan – divulgação

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