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Cidades ainda têm redes de água em amianto no interior

José Tomazela

11 de outubro de 2013 | 16h01

Pelo menos uma em cada dez cidades do Estado de São Paulo ainda tem redes de água em amianto. O uso do material está proibido há cinco anos no Estado de São Paulo, mas as redes foram instaladas há mais tempo. A Lei 12.684/2007 que proibiu o uso de produtos, materiais ou artefatos que contenham amianto ou asbesto na sua composição em todo o Estado, determinando a substituição definitiva do material instalado, não fixou prazo para a troca. Caixas, dutos e tubos de amianto eram largamente utilizados nos sistemas públicos de abastecimento. O pó de amianto é considerado cancerígeno.

Dos 363 municípios atendidos pela Sabesp, empresa de saneamento que tem o Estado como principal acionista, em pelo menos 40 a água tratada ainda corre em tubulação de amianto. Cidades como Piraju, São Roque, Itararé, Duartina e Santa Cruz do Rio Pardo já pediram a substituição dessas redes, mas ainda não foram totalmente atendidas. Na estação de tratamento de esgoto de Timburi, no sudoeste paulista, uma placa alerta: “Nesta obra não estão sendo usados tubos de amianto e seus derivados por ser prejudicial à saúde”. Parte da rede de água da cidade, no entanto, ainda é de amianto.

Em algumas cidades, os próprios moradores temem pela contaminação da água e cobram a troca da canalização. Em Bariri, região central do Estado, 50% dos imóveis de onze bairros são abastecidos por essas redes. O Serviço de Água e Esgoto de Bariri (Saemba), informou que a rede foi instalada há trinta anos, quando não era proibida, mas há um estudo para a troca dos tubos, a um custo de R$ 1,5 milhão. O prazo não foi fixado. O Serviço Municipal de Água e Esgotos de São José do Rio Preto anunciou a troca de dez quilômetros de tubulação com amianto. A prefeitura tem prazo até fevereiro de 2014 para cumprir lei municipal que proíbe o uso de artefatos feitos com o minério.

Em Guaíra, região norte, 5,5 mil metros de redes estão sendo substituídos com recursos do Departamento de Água e Esgotos (Deagua), órgão do município, e do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro). A troca está sendo feita para evitar vazamentos. A cidade ainda tem outros 8,5 km de redes com amianto. Houve troca parcial também em São Roque, região de Sorocaba. A substituição, reivindicada pelos moradores, é feita por etapas em Fernandópolis, noroeste paulista – cerca de 30 km de redes são de amianto.

A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que realiza estudos com o objetivo de avaliar a toxicidade do abastecimento de água tratada para consumo humano por meio de tubulações que contêm amianto e a viabilidade de substituição gradativa pelo prestador de serviços. Embora não tenha fornecido números, a agência informou que parte dos 264 municípios regulados possui parcelas da rede de distribuição com amianto, mas a maioria já foi substituída.

A Sabesp informou cumprir a legislação e nas novas redes usa somente ferro fundido, PVC e polietileno de alta densidade. “Ainda há redes mais antigas feitas com amianto e que estão sendo substituídas dentro de um programa constante de renovação das redes, especialmente para evitar vazamentos e perda de água”, informou a assessoria de imprensa.

De acordo com a empresa, a Organização Mundial de Saúde (OMS) concluiu, em documento publicado em 1996, “não haver evidências consistentes ou convincentes de que a ingestão de amianto é perigosa à saúde, nem um valor limite para amianto na água potável”.

A Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt) é contrária a qualquer forma de utilização do amianto por entender que o produto é nocivo à saúde. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de amianto, mas a produção é exportada.