Caso de escoteiro desaparecido há 36 anos no Pico do Marins é reaberto em Piquete
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Caso de escoteiro desaparecido há 36 anos no Pico do Marins é reaberto em Piquete

José Tomazela

19 de julho de 2021 | 13h00

Depois de mais de três décadas, a polícia voltará a investigar o misterioso desaparecimento de um escoteiro de 15 anos, durante uma excursão ao Pico dos Marins, em junho de 1985, no município de Piquete, interior de São Paulo. Marco Aurélio Simon sumiu quando tentava alcançar o pico de 2.420 metros de altitude na companhia de um líder e de outros três adolescentes. A Polícia Civil decidiu reabrir a investigação após terem surgido informações que podem dar um novo desfecho para o caso.

No dia em que desapareceu, Marco Aurélio e os três escoteiros da mesma idade seguiam o líder em direção ao Pico, quando um dos meninos sofreu uma torção no joelho. O monitor pediu que Marco Aurélio retornasse ao acampamento, na base do pico, em busca de ajuda. O garoto iniciou a marcha de volta e desapareceu. Só foi encontrada a mochila que ele usava.

Durante 28 dias, equipes de busca vasculharam a região, usando helicópteros, alpinistas e cães farejadores, sem sucesso. Mais de 300 pessoas, entre policiais, especialistas e voluntários, participaram das buscas, sem sucesso. O inquérito foi arquivado em 1990, sem conclusão.

O pai do escoteiro, o jornalista e advogado Ivo Simon, hoje com 82 anos, nunca desistiu de procurar pelo filho. A família chegou a oferecer recompensa para quem fornecesse informações que levassem ao paradeiro de Marco Aurélio.

No mês passado, Simon levou ao delegado da Polícia Civil de Piquete, Fábio Cabett, novas informações sobre o caso. Ele teve acesso a um áudio em que uma pessoa relatava ter ouvido da filha de um antigo guia do Pico do Marins que o escoteiro havia sido morto pelo filho dele, um jovem com problemas mentais, e enterrado na propriedade da família. A mulher teria feito o relato antes de morrer, vítima da covid-19.

Outra filha do dono do sítio, que atualmente mora em Minas Gerais, teria visto sinais de uma cova no local em que o acampamento dos escoteiros estava instalado, ao lado da casa. Com autorização judicial para retomar as investigações, o delegado vai mobilizar os peritos e realizar escavações no local. No último dia 15, ele visitou a área na companhia de Ivo.

Segundo o delegado, outra linha de apuração leva em conta relato de pessoas que teriam visto um morador de rua com traços fisionômicos que lembram o escoteiro. Ele ordenou diligências na tentativa de localizar e identificar essa pessoa. Peritos da Polícia Civil trabalham também na produção de um retrato atual de Marco Aurélio que será distribuído a delegacias de todo o país.

O Pico do Marins, na Serra da Mantiqueira, é a segunda montanha mais alta do estado e o 26.o ponto mais elevado do país. Formado por um grande maciço rochoso de paredões íngremes, é destino importante para amantes da escalada e a pratica de trekking.

Escoteiro Marco Aurélio desapareceu em 1985, em Piquete. Foto Arquivo Pessoal.

publicidade

publicidade

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.