‘Boca do sertão’, Santa Cruz do Rio Pardo tem 150 anos de história para contar
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‘Boca do sertão’, Santa Cruz do Rio Pardo tem 150 anos de história para contar

José Tomazela

19 de janeiro de 2020 | 10h49

Conhecida como a “boca do sertão”, por sua localização estratégica, Santa Cruz do Rio Pardo participou de momentos marcantes do desenvolvimento do interior paulista. A cidade completa 150 anos nesta segunda-feira (20), com muita história que ainda precisa ser melhor contada.
Pouco se sabe, por exemplo, sobre a participação de santa-cruzenses no levante militar de 1935, conhecido como Intentona Comunista. Alguns historiadores sustentam ter sido uma das poucas cidades paulistas a se rebelar, ocupando o prédio da prefeitura à época. Os cidadãos locais também participaram da Revolução Constitucionalista de 1932, ajudando a defender a ponte pênsil de Chavantes, que acabou destruída pelas tropas federais. Os registros oficiais dos dois importantes episódios são escassos.
O município surgiu em 1850, quando o sertanista mineiro José Theodoro de Souza se estabeleceu na região do Rio Pardo e, em busca de ajuda para manter a posse da vasta área, arregimentou conterrâneos como Manoel Francisco Soares e Joaquim Manuel de Andrade. Este último liderou o movimento pela criação da freguesia e depois da vila, tendo sido vereador, juiz de paz e coletor de rendas.
Em 1873, os fundadores ergueram uma capela dedicada a São Pedro, depois chamada Santa Cruz, devido a uma grande cruz fincada à beira do rio.
Fora do traçado da Estrada de Ferro Sorocabana, a cidade resolveu lutar contra o isolamento e construiu com recursos próprios um ramal ferroviário até a linha tronco, em Bernardino de Campos, então distrito. A estação ferroviária, construída com projeto do arquiteto Ramos de Azevedo, foi inaugurada em 1908 – o prédio foi restaurado recentemente e abriga o Museu Histórico e Pedagógico Ernesto Bertoldi.
A cidade ficou conhecida como ‘a joia da Sorocabana’. A crise do café, associada à dívida contraída pela Câmara municipal para construir a ferrovia, levaram a uma forte estagnação na década de 1930. Na década de 1960, a ferrovia foi desativada.
Nas décadas seguintes, as lavouras tradicionais de milho e feijão foram substituídas por soja e cana-de-açúcar. Mesmo com o avanço da cana, a cidade manteve a cultura do arroz, tornando-se a maior beneficiadora desse grão no Estado. Atualmente, Santa Cruz é um importante polo calçadista, com cerca de 30 fábricas em operação.
LEVANTE – Em 1934, durante o governo Vargas, lideranças locais se organizaram em torno do Partido Comunista Brasileiro, que já estava na ilegalidade. O líder comunista Luís Carlos Prestes enviou emissários à cidade para fornecerem subsídios ideológicos ao grupo. Em 1935, o ‘partidão’ tinha cerca de 300 filiados na cidade, em sua maioria operários e camponeses.
Quando aconteceu o levante conhecido como Intentona Comunista, os associados se rebelaram e chegaram a tomar o paço municipal por sete horas. A manifestação foi sufocada e os rebeldes negociaram sua rendição, já que não tinham armas. A organização foi desmontada e 22 pessoas foram presas, conforme os poucos registros da época.
A cidade, de 47,4 mil habitantes, possui dois distritos – Sodrélia e Caporanga. A festa de aniversário terá as principais atividades na Praça São Sebastião, onde o canil da Polícia Militar se apresenta a partir das 8 horas. Haverá passeio ciclístico por trilhas e pontos históricos da cidade, além de outras atividades esportivas. A partir das 18 horas, haverá shows e apresentações artísticas.

Estação ferroviária de Santa Cruz foi restaurada e abriga museu histórico. Foto Prefeitura/Divulgação

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