Barroco de Itu ganha mostra com Aleijadinho em Brasília
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Barroco de Itu ganha mostra com Aleijadinho em Brasília

José Tomazela

17 Março 2014 | 11h21

Uma coleção com 140 peças das várias fases do barroco brasileiro foi levada de Itu para Brasília e promete causar polêmica na capital federal a partir de quarta-feira (19), quando será mostrada ao público. Com a exposição “Berço do Barroco Brasileiro e seu Apogeu com O Aleijadinho”, o curador ituano Marcelo Coimbra defende a tese de que a arte barroca brasileira teve origem no interior de São Paulo, com Frei Agostinho de Jesus, e migrou para Minas Gerais, chegando ao ponto alto com o mineiro Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

Coimbra apoia sua tese em obras de arte ainda inéditas para o público, produzidas no interior paulista, no século 17, como uma escultura de Nossa Senhora da Expectação, de 1640, atribuída ao frade. A imagem, de barro cozido típico do interior paulista, foi encontrada na região de Itu. “É notável na santa a feição caipira do interior”, diz Coimbra. Frei Agostinho passou a maior parte da vida na paulista Santana de Parnaíba e ficou conhecido por ter feito a imagem de Nossa Senhora da Conceição que, achada nas águas do Rio Paraíba, deu início à devoção de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Estará na coleção outra obra dele, um Santo Antonio em barro cozido, de meados do século 17. Também do barroco paulista, uma escultura de Nossa Senhora da Penha, em terracota, é do mesmo período e tem autoria atribuída a um mestre ativo da região de Sorocaba, que o curador acredita ter sido discípulo de Frei Agostinho. A exposição mostrará ainda 47 obras de Aleijadinho, algumas inéditas, como o Cristo Bailarino, uma imagem de Cristo em que ele parece executar um movimento de balé, e uma Nossa Senhora das Dores.

Todas as obras são de colecionadores paulistas, a maioria de Itu, e revelam a intimidade entre seus possuidores e os santos, segundo Coimbra. “As grandes obras conhecidas do barroco, como os Apóstolos de Congonhas ou as igrejas de Ouro Preto, mostram santos distantes, em pedestais. Nesta coleção, há imagens em que os santos estão sorrindo e sendo acariciados por crianças”, explica. O curador pretende levar a exposição a outras capitais brasileiras, em datas a serem definidas.

Com patrocínio da Caixa e do Governo Federal, a exposição segue até 11 de maio próximo, na galeria principal da Caixa Cultural Brasília. A mostra abre à visitação das 9 às 21 horas, com entrada franca.

 

Santo Antonio, de Frei Agostinho de Jesus, e o Cristo Bailarino, do Aleijadinho

Santo Antonio, de Frei Agostinho de Jesus, e o Cristo Bailarino, do Aleijadinho