Após onda de furtos, cemitério terá câmeras para vigiar os ‘vivos’ em Assis
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Após onda de furtos, cemitério terá câmeras para vigiar os ‘vivos’ em Assis

José Tomazela

26 de abril de 2022 | 16h56

Movimento noturno inusitado está levando a prefeitura de Assis a instalar câmeras de vigilância no cemitério público da cidade. Não se tratam de assombrações ou almas penadas, mas da ação de ladrões bem ‘vivos’. Só este ano, já foram furtadas mais de 600 placas de metal e duas estátuas de bronze, tudo avaliado em mais de R$ 200 mil.

Uma das esculturas, representando Jesus Cristo, com 1,60 m de altura, foi furtada no dia 31 de maio, de um jazigo familiar tradicional. A obra de arte estava instalada sobre a sepultura havia décadas. Nos ataques ao cemitério, os ladrões quebraram cadeados e chegaram a furtar também 20 metros lineares de alambrado.

Só em fevereiro, segundo contagem feita pela administração, foram furtadas 418 placas de bronze que estavam afixadas em lápides. Em março, além do furto das esculturas sacras, foram levadas mais 200 placas. Os crimes ainda são investigados pela Polícia Civil, que fez buscas em depósitos de sucatas e ferros-velhos. Alguns suspeitos já foram identificados.

Na semana passada, o administrador do cemitério municipal, Fabiano Cavalcante, reuniu-se com representantes da prefeitura e da Polícia Militar. O município se comprometeu a instalar câmeras de vigilância interna, além de postes de luz para melhorar a iluminação, embora o cemitério permaneça fechado durante a noite. A Polícia Militar vai intensificar as rondas no entorno.

O Cemitério da Saudade, em Assis, em sua primeira versão, foi instalado alguns anos após a fundação da cidade, em julho de 1905, marcada pela construção de uma capela evocando o Coração de Jesus, São Francisco de Assis e Santo Antonio. Ao redor da capela, foram surgindo as primeiras casas e, com a formação do povoado, os moradores passaram a ter um local para sepultar seus mortos.

Entre os túmulos mais visitados, estão o do Monsenhor David, falecido em 1949, e que foi um dos primeiros padres da cidade, responsável pela construção da Igreja Matriz, e o do jovem Prudêncio Aparecido de Souza, o Prudencinho. O adolescente falecido em 1941, de tuberculose, aos 14 anos, ganhou fama de realizar milagres. Também é famoso o túmulo de Antonio Jacob, o Jacó da dupla Jacó & Jacozinho, que morreu em 1981, em acidente automobilístico.

Cemitério de Assis vai ganhar câmeras. Foto Prefeitura de Assis/Divulgação

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