Aos 250 anos, Itapetininga resgata história de suas grandes escolas
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Aos 250 anos, Itapetininga resgata história de suas grandes escolas

José Tomazela

05 de novembro de 2020 | 18h14

A primeira Escola Normal do interior de São Paulo foi inaugurada há 126 anos, em 20 de julho de 1894, em Itapetininga. Graças a esse pioneirismo, mesmo distante 180 km da capital, Itapetininga se tornou um importante centro de formação de professores e passou a ser conhecida como “cidade das escolas”.
Ao completar 250 anos nesta quinta-feira (5), o município resgata um patrimônio cultural poucas vezes reunido em um único centro urbano. São três escolas que formam um conjunto arquitetônico sem igual. As atuais Escolas Estaduais Peixoto Gomide, Coronel Fernando Prestes e Adherbal de Paula Ferreira tiveram os projetos concebidos pelo engenheiro-arquiteto Ramos de Azevedo, autor do Teatro Municipal de São Paulo e de outros importantes exemplares da arquitetura paulista.
O prédio central da Peixoto Gomide tem a sua planta em “U”, semelhante à Escola Normal Caetano de Campos, da capital, também projetada por Ramos de Azevedo e inaugurada no mesmo ano de 1894.
O conjunto é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) desde 2002. “O conjunto, exemplar único no Estado de São Paulo, destaca-se pela monumentalidade e constitui-se, até hoje, uma das mais importantes obras do governo no interior paulista”, assinala a resolução de tombamento.
Conforme o professor Celso Bodo de Carvalho, historiador local que foi aluno da escola na década de 1950, a escolha de Itapetininga para sediar o importante centro de formação de professores deveu-se a uma aliança entre os políticos Fernando Prestes e Peixoto Gomide – Prestes sucedeu o paulistano Gomide no governo de São Paulo.
Ele lembra que, durante a Revolução de 1932, a Peixoto Gomide serviu de hospital para os soldados paulistas que retornavam feridos do front sul de batalhas, estabelecido na região de Itararé. As instalações também serviram de quartel general para o comando das tropas constitucionalistas e de alojamento para os soldados. Os feridos chegavam pelos trilhos da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) – os trens do ramal de Itararé passavam a pouca distância da escola. Depois da revolução, as escolas passaram por reformas.
Em 1951, a Peixoto Gomide ainda era uma das maiores escolas do interior, com 1,1 mil alunos. Alfabetizadores formados em suas classes se espalharam por todo o Estado. Em 1988, as três escolas foram fechadas para um amplo processo de restauro. O curso do chamado magistério normal funcionou até 2003. Após essa data, a Peixoto Gomide e suas ‘escolas irmãs’ passaram a atender alunos dos ensinos fundamental e médio, além das classes de alfabetização de jovens e adultos. Atualmente, são 125 professores e 1.445 alunos.
Devido à pandemia do novo coronavírus, os 250 anos de Itapetininga foram comemorados sem eventos com participação do público. A fundação remete a novembro de 1770, quando foi oficializada a existência do vilarejo de Nossa Senhora dos Prazeres de Itapetininga. O desenvolvimento ganhou impulso com a chegada da ferrovia, em 1895.
Itapetininga produziu brasileiros ilustres, como Fernando Prestes de Albuquerque, quarto presidente do Estado de São Paulo, e Júlio Prestes de Albuquerque, único presidente da República eleito pelo voto popular a ser impedido de tomar posse devido ao golpe que levou Getúlio Vargas ao poder, em 1930.

Escola Adherbal Ferreira, um dos marcos culturais de Itapetininga. Foto Condephaat

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