Ano novo, cidade nova? ___ 02 | Menos carros estacionados
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Ano novo, cidade nova? ___ 02 | Menos carros estacionados

Henrique de Carvalho

03 de janeiro de 2019 | 06h30

Croquis do autor (Henrique de Carvalho), exemplificando a ideia sugerida no texto.

Croquis do autor (Henrique de Carvalho), exemplificando a ideia sugerida no texto.

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Segundo episódio de nossa série de Ano Novo. São ao todo cinco pontos relevantes e simples de implantar, com o intuito de inspirar pessoas e administrações municipais a revolucionarem suas cidades nestes dois anos que ainda lhes restam até as próximas eleições para prefeito.

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02 | Menos carros estacionados ao longo de vias

Desde 2002, quando tive contato com as abordagens urbanísticas autodenominadas car free cities, não consigo mais ver um monte de carros parados junto às calçadas como algo desejável.

De forma bem simplista, em uma cidade livre de carros eles seriam úteis só para deslocamentos maiores, por vias expressas ou rodovias, até que se chegasse a um estacionamento — que sempre imagino bem arborizado e servido de banheiros, lanchonetes, serviços de manutenção, etc. A partir dali, andaríamos por uma espécie de parque, numa caminhada de até 15 minutos, ou em transporte coletivo de trajeto bem delimitado, cuja viagem levaria até 15 minutos. Um máximo de eficiência, em ambiente agradável e livre de carros e seus inconvenientes.

Com os carros autônomos tudo isso começa a ser repensado (ou deveria começar), uma vez que eles podem se comportar de modo similar ao do transporte coletivo e, como não fazem sentido parados, podem passar o dia carregando gente, tornando desnecessário o estacionamento-atracadouro e integrando-se à função de transporte coletivo dentro do parque.

E como transpor isso para nossas cidades, com baixo custo e grande transformação? Eu eliminaria o problema dos carros imediatamente em frente ao comércio. Todos sairiam ganhando se algumas ruas estritamente comerciais fossem transformadas em boulevares, tendo a antiga rua convertida em praça, ao centro, e o comércio ao redor para ser acessado a pé. Nas duas pontas da rua poderíamos ter bolsões de estacionamento, minimizando o conflito carro-pedestre.

Com os automóveis contidos em local mais adequado, os pedestres transitariam em segurança e com menos pressa, estimulando o potencial comercial do lugar. As calçadas seriam bem mais largas, ocupando o que antes era rua, e a comunidade ganharia uma praça. Os comerciantes teriam suas fachadas totalmente desimpedidas, tal como quando há parklets em frente ao comércio.

Sabe quando você para o carro no estacionamento da farmácia e quer dar uma passadinha na padaria, mas desiste para evitar reclamações de quem trabalha na farmácia? Esse constrangimento deixaria de existir e haveria, em contrapartida, um estímulo à caminhada.