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Voltando a ser gente fina

Haisem Abaki

25 de fevereiro de 2013 | 14h49

Publicado pela 1ª vez em 30/12/2010
Nos últimos tempos, tenho encontrado amigos que já não me reconhecem mais quando viro a esquina. Agora, ficam esperando pra ver se aquele cara “quase reto” sou eu mesmo. As reações de espanto me fazem dar algumas explicações que já se transformaram em decoreba. Os desencanados olham para a linha da cintura e dizem que estou bem. Os preocupados são mais diretos e perguntam se estou doente. Só ficam tranquilos quando repito a ladainha dos sete quilômetros diários de caminhada e da alimentação mais saudável.
Depois, vem a questão inevitável e que pesa na balança. Todos querem saber quantos quilos perdi. Eram três na primeira vez que respondi. Fiquei satisfeito quando pude dizer “dez” (jornalistas adoram números redondos!), mas a resposta de hoje é “doze”.
Agora, já recebo pedidos para “parar de emagrecer”. Acho que já é o ideal mesmo, porque o cardiologista que me recomendou exercícios para manter o que chamou de “coração de meninão” disse que eu deveria chegar aos 70 quilos, mas que 72 “já seria um peso bom”. Consegui atingir os setentinha em quatro meses, o que dá uma média de 100 gramas por dia. Então, se meus amigos me vissem diariamente, não ficariam assim tão espantados com o “corpitcho”.
Alguns perguntam “qual é a receita” e desconfiam quando digo “exercícios e alimentação”. Tem gente que insiste e quer saber se estou tomando algum remédio. Então, decidi revelar tudo. A minha “droga” é criar uma bobagem qualquer pra acreditar e transformar em meta.
Chamei a primeira parte do condicionamento de “Operação Calo no Pé”. Senti dores nos andadores e surgiram bolhas e calos. Comprei um tênis novo, coloquei curativos de bichinhos nos machucados (eram dos meus filhos, gente!) e segui em frente.
Quando percebi que aguentava o tranco, fui aumentando aos poucos a extensão do percurso. Comecei com 2,5 quilômetros por dia, quatro e fui indo… Até chegar aos sete. Chamei essa fase de “Operação Bola Fora”. Foi quando percebi que aquela coisa redonda na cintura poderia ir mesmo para escanteio.
Ao mesmo tempo, desenvolvi outra etapa importante na alimentação. Resumindo, implantei a “Operação Prato Verde Imponente” no almoço e a “Operação Meu, Lanchinho, Meu Lanchinho, Vou Comer…” no jantar. Só não canto essa musiquinha infantil antes de degustar o saboroso sanduba porque aí já seria muita sacanagem com as gordurinhas. Elas não suportariam a tortura. Entre as duas refeições, também adotei a “Operação Fruta com Casca e Tudo” e a “Operação Barrinhas de Gororobas Exóticas”.
Agora, acabo de entrar numa nova e desafiadora jornada. Já estou puxando e levantando alguns ferros. Quem passa logo percebe a le-veeeeee-za dos movimentos, a de-sen-vol-tuuuuu-ra nos exercícios, a postura a-tlééééé-tiiiii-ca nos gestos e quase ne-nhuuuuu-ma ca-reeee-ta durante as repetições de séries e mais séries, todas cheias de pra-pra-pra-zeeeeeer! Estou chamando a deliciosa etapa de “Operação Tanquinho”. Quem der risada ou ficar de gozação que se prepare para virar alvo de ataques impiedosos. Todos com balas sem açúcar!
O próximo passo também é importantíssimo, mas acho que vai ficar para o ano que vem. Vou iniciar a “Operação Calças na Mão”. Elas estão caindo e nem o cinto dá jeito. Preciso de uma costureira especializada em gente fina. Quem indicar uma pra acabar com a minha folga ganha um abraço. Não, é melhor um aperto de mão ou um beijo. Pelo menos uma das mãos deve ficar esperta. Vai que cai!
………….
Desejo um Feliz 2011 a todos que passam por aqui e me acompanham pelo rádio. Engordei muito com tantas manifestações de carinho e, pelo menos nisso, quero continuar bem rechonchudo.

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