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Uma perda palpável

Haisem Abaki

25 de fevereiro de 2013 | 14h45

Publicado pela 1ª vez em 27/11/2010
Nos últimos quatro meses, tive uma perda que foi acontecendo e se revelando aos poucos. No começo, quase ninguém percebeu. Nem eu. Foi indo de mansinho, bem devagar, sem muito alarde, sorrateiramente.
Notei os primeiros sinais, mas não dei muita bola. Achei melhor esperar com paciência para ver o que aconteceria, sem gerar grandes expectativas. A estratégia de fingir que não era comigo certamente evitaria maiores decepções.
E segui assim, com jeito de desinteressado, sem falar nada, deixando a coisa rolar naturalmente. Pra falar a verdade, nem sei como ganhei aquilo, que foi crescendo sem eu me dar conta de tamanho fato. Quando vi, já fazia parte de mim.
A convivência até que foi pacífica e prazerosa enquanto durou, mas não combinávamos muito. Então, resolvi ser um pouco mais egoísta e pensar em mim mesmo. Foi aí que nossas diferenças apareceram pra valer e vi que não tínhamos nada em comum. Arrumei uma nova companhia inseparável para mostrar que não sentia a menor falta caso decidisse ir embora de vez.
As pessoas começaram a comentar e surgiram as primeiras perguntas. Eu sempre respondia desconversando, sem dizer sim nem não. Um mistério é sempre muito bom, ainda que a resposta esteja na cara.
Só que chega uma hora em que é preciso assumir para acabar com as especulações. Sim, estou me dedicando a uma nova paixão, que tomou o lugar daquela perda que tive. O nome dela é “caminhada” e ela me dá sete quilômetros de prazer por dia. Nunca mais pensei na ingrata chamada “barriga”, que foi embora levando dez quilos.
Hoje, fazendo as contas, concluo que tive mais ganhos do que perdas. Meus amigos dizem que voltei a ser “gente fina”. Está tudo bem. Quase tudo bem. É que alguém muito especial, num olhar mais apurado para a “retaguarda”, detectou que uma determinada região também ficou menos “fofa”. Vou pedir a ela que vá com calma e não aperte em abundância. Agora isso dói!

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