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Uma dúvida palpitante

Haisem Abaki

25 de fevereiro de 2013 | 14h46

Publicado pela 1ª vez em 08/12/2010
Outro dia, revelei aqui a minha nova e quente paixão pela caminhada, que me dá sete quilômetros diários de prazer. Agora vou contar como ela me conquistou. Tudo começou quando alguém especial, com muito carinho, passou a insistir para que eu fosse ao médico e realizasse vários exames. Eu tinha acabado de fazer 45 anos.
Não demorei quase nada para seguir o conselho. Foi tudo muito rápido, instantâneo, de uma hora pra outra mesmo. Um ano depois, aos 46, já estava obedecendo, completamente convencido e de livre e espontânea obrigatoriedade.
Passei por alguns especialistas e os diálogos sempre traziam alguma novidade. Uma hora eu respondia que não fumava, depois dizia que não bebia quase nada por ser fraco pra essas coisas, que não tinha casos disso ou daquilo na família… Já em outro consultório, eu respondia que não fumava, depois dizia que não bebia quase nada por ser fraco pra essas coisas, que não tinha casos disso ou daquilo na família… E foi assim, sempre com conversas inéditas.
Estava tudo bem, até surgir uma grande dúvida na ida ao cardiologista. Pô, justo o coração! Fiz um eletro, passei pelo eco e cheguei ao teste de esforço na esteira.
Este último exame foi o mais inquietante. Primeiro veio a simpática assistente do médico (não direi bela para não dar problema) e perguntou se eu havia levado o aparelho de barbear. Aí, com muito jeito, ela pegou a lâmina e me deu uma raspadinha básica no peito. Logo me veio a infantil lembrança de um comercial de TV em que uma bela loira (eu disse bela?) fazia a barba de um sujeito. Aguentei firme, meio sem graça, fazendo cara de paisagem desmatada.
Depois veio o médico, que me fez andar e correr na esteira até a exaustão. Ouvi dele uma frase que me marcou profundamente, mas o doutor deixou claro que a palavra final seria do colega que havia pedido o exame. Então, resolvi esperar.
No dia da última consulta, o outro médico me recomendou a prática de exercícios, mas fez uma avaliação diferente. Estava sozinho, quase não fiz perguntas e fui embora logo, como é de costume entre a espécie do gênero masculino.
Saí do consultório pensando num jeito de contar isso lá em casa. E agora, qual seria o diagnóstico correto? Será que eu deveria procurar uma terceira opinião? Como eu iria conviver com aquela dúvida tão palpitante?
Afinal, qual dos dois médicos estaria certo? O primeiro, que disse que eu tinha “um coração de meninão”? Ou o segundo, que afirmou com todas as letras que ali estava “um coração de garotão”?
Até senti uma coceirinha no peito, na área da floresta de pelos devastada pela bela e implacável raspadora. Caramba, falei bela de novo e não deletei! Olhei para aquela região lisinha do meu corpo e tive a certeza que procurava. Nem meninão, nem garotão. Ali estava um bebezão! O tempo passou e os pelos já cresceram de novo. Nunca mais vou raspá-los. A não ser que… Vou sair correndo com meu coração de meninão, garotão e bebezão antes de falar!

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