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Um mundo que não se abala

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 20h49

Publicado pela 1ª vez em 18/01/2010
Foi necessário um trágico terremoto para que o mundo descobrisse o Haiti. Antes da tragédia, a presença da ONU já era o bastante, principalmente para os países ricos. Ficava mais fácil assim, numa quase terceirização do problema.
Depois do tremor, a ajuda chega de todos os lados. Milhões e toneladas são as palavras mais ouvidas. Mas o abalo da miséria e da violência já havia atingido uma escala de proporções incalculáveis e pedia milhões e toneladas há muito tempo.
Antes tarde do que nunca, o auxílio finalmente começa a chegar aos antes sobreviventes do que mortos. É uma boa oportunidade para o mundo olhar para outros haitis por aí, que estremecem todos os dias, ainda que a terra não se mexa.
Nós, a milhares de haitis de distância, ficamos abalados com as notícias de uma ou outra vitima ainda respirando sob os escombros e de uma sucessão de enterros coletivos. Os haitianos não se surpreendem tanto. Lá, a vida já estava na vala comum. Sobreviver era preciso.

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