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Um cara cheio de “mãenias”

Haisem Abaki

06 Maio 2016 | 09h15

A mulherada aí que me desculpe, mas desse negócio chamado gravidez eu entendo. São 18 meses de experiência que, com imensa generosidade, quase que como um coração de mãe, compartilho agora para quem quiser aprender com o meu vasto conhecimento na área.

Comecei há quase 18 anos, ainda sem saber que seria uma menina. E repeti a dose quatro anos depois, também ignorando que viria um menino. Da primeira vez, foi amor ao primeiro toque de telefone, já que fui eu que atendi a ligação da moça do laboratório, avisando do “positivo”. Já fiquei eternamente bobo ali mesmo. Da segunda, a tal palavrinha estava escrita num papel. Virei bobo ao quadrado.

Nas “minhas” duas gestações, logo de cara vieram as contas da data do nascimento e do signo. E um mergulho nas pesquisas de nomes e seus significados. E também uma compulsão por CDs com músicas mais suaves e por conversas ao pé da barriga.

Confesso que fui mais meloso nos papos com a mocinha do que com o irmão dela, que lá de dentro ouvia um “e aí, moleque?” quando eu chegava. As preocupações se dividiam entre bonecas, bichos de pelúcia, bolas, carrinhos de brinquedo, papel de parede. O berço branco e o carrinho de bebê verde passaram dela para ele.

Ah, mas antes dessas coisinhas vivi dois intensos casos de amor ao primeiro ultrassom. A diferença é que, na vez do garoto, eu já sabia que só daria pra ver um feijãozinho. Isso mesmo: paixão instantânea pelos dois feijõezinhos. E pelas batidas dos corações mais ainda.

Mais pra frente ocorreram dois momentos decisivos. Primeiro, a descoberta de que ela era ela, com a cabeça jogada para trás e o narizinho empinado. E com ele a constatação de que era ele, com aquele revelador pingolinzinho.

O tempo passava e nas duas vezes eu ia engordando, acompanhando com “imenso sacrifício” alguns desejos da dona do primeiro abrigo dos dois, como hambúrguer, batata frita e churros de doce de leite, mas felizmente não tive enjôos, que agora se escreve enjoos.

E vinha uma ansiedade danada por um ultrassom atrás do outro. Apesar de desajeitado, aprendi o que pude sobre contrações, amamentação, mamadeiras, chupetas, fraldas, cueiros, pagãozinho, xampus, sabonetes, cremes para assaduras, cólicas, chazinhos… Cheguei a pular etapas e já me via até diante de duas adolescências!

E nos dois partos, que foram normais, eu estava lá, firme e forte. Bem, quase firme e quase forte… Mas estava lá e os dois cabeludos deram de cara comigo assim que chegaram com seus olhos arregalados. Ela, seis dias antes do previsto. Ele, preguiçoso, esperou até os 45 do 2º tempo.

Sim, eu sei tudo de maternidade. Do nascimento aos primeiros passos e às primeiras palavras. Vi tudo o que pude ver. E, nas muitas vezes em que não pude, soube de cada gesto e de cada novidade pela melhor mãe que eles poderiam ter. Aprendi que dá pra ser muito feliz recebendo o segundo abraço.

Porque o primeiro tem que ser sempre da dona da barriga que nunca cansei de admirar. Hoje entendo o que dizia meu pai: é preciso amar mãe e pai. Nessa ordem. Há amores que passam, mas esse é o único que fica para sempre.

Só que numa coisa eu sou insuperável. Não tem pra ninguém. A velha “mãenia” de ser babão. Duplamente babão.