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Sonhar para viver e viver para sonhar

Haisem Abaki

03 Agosto 2018 | 11h29

Uma pessoa iluminada e muito especial me coloca diante de um intrigante dilema. Algo que gera muita polêmica. Uma polêmica danada. Uma polêmica capaz de causar discussões em que pode acontecer tudo, inclusive nada. Uma polêmica em que muito provavelmente, diante de uma profusão de argumentos, ninguém vai convencer ninguém e cada um ficará com suas convicções inabaláveis.

Ah, você que está lendo aí já deve estar pensando que me refiro ao nosso atual momento político… Aqueles “debates” intermináveis em que todo mundo grita, se xinga, se ofende e se odeia, né? Não, o dilema não é o insano “nós contra eles”. É um assunto muito mais sério do que esse. E muito mais importante ainda do que polêmicas infinitamente menores, como o Neymar caindo, rolando e fazendo “propagandesabafo”.

Então, sem mais enrolação, vamos ao dilema: acreditar ou não em sonhos? E não em um sonho qualquer. Um sonho premonitório. Um sonho que possa ser impactante e fazer uma pessoa mudar de vida, deixar alguém ou alguma situação para trás e seguir outro caminho. Confesso que fiquei impressionado com o relato e que tenho refletido sobre isso. Mas já cheguei a uma conclusão definitiva: sim e não. Sim, porque eu acredito em coisas que não podemos explicar e respeito as sensações das pessoas. E não, porque sou um sujeito muito “pragmático” e só vivo no mundo real, sem fantasias.

Um exemplo do meu “pragmatismo”? Tá bom. Eu acredito quando alguém surge de repente e do nada em minha vida e me dá a impressão de que nos conhecemos desde sempre. Eu acredito no olhar silencioso que diz tudo. Eu acredito em tentativas de explicar um sentimento inexplicável. Eu acredito num abraço em que cabe o mundo. Eu acredito em palavras de carinho, pausas e suspiros. Eu acredito em bilhetes sinceros deixados na cabeceira da cama para serem encontrados de manhã. Eu acredito em gestos concretos de positividade para enfrentar e vencer as más energias.

Já tá bom, né? Mas meu “pragmatismo” pode ir muito além. Pode me fazer pegar uma estradinha de terra no meio da escuridão só pra ver a lua cheia e as estrelas dentro de um abraço apertado. E sentir o aroma de plantas que não conheço, ouvir sons de bichos que não consigo identificar, mas pelo menos enxergar uns vagalumes e concluir que tudo é lindo quando se está em boa companhia.

Poderia dar muitos outros exemplos de meu “pragmatismo”. Mas paro por aqui porque o que vale mesmo é viver a vida e não só ficar escrevendo sobre viver a vida. Ela já nos dá muitos sinais que a gente às vezes não vê e por isso deixa de passar por bons momentos ao lado de quem se ama.

Meu sonho é que venha um despertar e mostre às pessoas que é possível sonhar junto e acordado em vez de ter medo, fugir ou radicalizar. Porque a vida é um aviso constante. Ela chama a gente todos os dias. Sempre dá tempo de decifrar os sinais que não são nenhum segredo. E de viver para sonhar e não sonhar para viver. O nome disso é felicidade. O meu “pragmatismo” feliz vê tudo com a clareza da simplicidade. Premonitoriamente.