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Rios de promessas

Haisem Abaki

25 de fevereiro de 2013 | 13h51

Publicado pela 1ª vez em 12/04/2010
A mais recente tragédia da chuva revela outras instabilidades nacionais, muitas vezes mais perigosas do que a variação do tempo, que aqui pode mudar de repente. Nessas horas, todos têm soluções torrenciais a apresentar, faça chuva ou faça sol, seja governo ou oposição.
Todos fazem chover frases que condenam as ocupações irregulares de encostas sujeitas a deslizamentos. Depois, todos fazem raiar um sol de obras para urbanizar os novos bairros sem mexer diretamente com o problema.
Todos fazem chover propostas de retirada dos moradores de áreas de risco e dizem que não vão permitir novas construções. Depois, removem as nuvens de protestos da frente até não sobrar um pingo de lembrança sobre o assunto.
Todos fazem chover planos e verbas mirabolantes para socorrer as vítimas e evitar novas catástrofes. Depois, proporcionam uma estiagem de ações para não incomodar ninguém com enxurradas de medidas.
Então, muito cuidado com promessas de céu claro e dias azuis. Ao ouvi-las, é melhor usar botas, capa e guarda-chuva. Os salvadores de plantão entendem de deslizes. É a grande especialidade deles. Escorregar, sempre. Cair, jamais!

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