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Promoção da igualdade corporativa

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 14h12

Publicado pela 1a vez em 01/02/2008 10:00:00
Ser ministro é um cargo espinhoso. Exige dedicação (a bem do serviço público) e abdicação (de cargos na iniciativa privada, com salários bem maiores). Mas para compensar tamanho sacrifício é só pensar no orçamento e no apadrinhamento. No hotel e no carro de aluguel. Na chopperia e na churrascaria. Na padaria e até e na tapiocaria.
Tudo isso, a começar pelo aperitivo, vai para o cartão de crédito corporativo. Sem contar as tais “despesas diversas”, em contas bem dispersas. E tem até uma passadinha no free shop, num rápido pit stop. A fatura é do ministro, mas é para o contribuinte que fica o pagamento sinistro.
Na gastança do dinheiro, surge o primeiro nome: Matilde Ribeiro. A cota da ministra de Políticas de Promoção da Igualdade Racial foi de 1-7-1 mil reais. Mas a despesa de 461 reais no free shop é fruto de um engano e já foi devolvida para o erário (ou seria o otário?).
Na imprensa, sempre em busca de um culpado, mais um ministro foi fisgado. Altemir Gregolin, da Aquicultura e Pesca, gastou 21 mil reais. Segundo ele, nada desabonador, tudo dentro da lei, sem conversa de pescador. Abriu as contas e explicou que na chopperia comeu, mas não bebeu. Na churrascaria, foi só uma vez, num almoço pra chinês. Quer que o noticiário o deixe e disse nada ter a ver com o peixe.
Enquanto outros nomes não surgem, vamos fechar a conta e passar a régua com o ministro do Esporte. A despesa do cartão estoura feito pipoca, mas Orlando Silva preferiu a tapioca.
Tapioca: 8 reais. Free shop: 461 reais. Churrascaria: 512 reais. Punição aos gastadores, não tem preço.
Depois de tanto ataque, vem uma medida “moralizadora”: pelo menos em dinheiro vivo, está proibido o saque. É uma tentativa de pôr ordem na casa e mostrar que cuidar bem do dinheiro público é um gesto nobre. Vou dar um voto de crédito e parar com esse negócio de rima pobre, mas não posso deixar de dizer que a decisão foi meio demorada. No serviço público as coisas são assim mesmo. E a lesma lerda de sempre.

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