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Pelados no trânsito

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 16h22

Publicado pela 1ª vez em 16/03/2009
Ainda está dando pano pra manga o protesto que ciclistas peladões fizeram no sábado na avenida Paulista. Eles queriam pedalar do jeito que vieram ao mundo, mas ficaram inibidos com a presença da polícia. Ainda assim, alguns tiraram a roupa pra reclamar da falta de espaço para as magrelas (bicicletas) no trânsito muito louco de São Paulo. Sem dúvida, a causa é nobre, mas estaríamos de volta aos primórdios da Humanidade se a cada coisa errada a manifestação fosse desse jeito. Pra não desviar do assunto, vamos espiar apenas o trânsito selvagem.
Buraco na rua e pneu estourado: vamos organizar uma carreata com todo mundo pelado dentro do carro, no máximo com o macaco na mão.
Marronzinho esperto no cruzamento durante o rodízio e sumido assim que o horário da restrição acaba: vamos fazer um buzinaço de peladões, mas não precisa ficar 100% nu – dá pra levar um apito como adereço.
Semáforo com 814 tempos, mas nenhum pra você: é só protestar tirando a roupa na hora, enquanto espera. Pode se despir bem devagar porque o sinal verde demora.
Motoqueiro buzinando pra passar entre os carros ou motorista desatento que não dá seta (tanto faz): vamos fazer uma confraternização de pelados, sem olhar aqueeeeeelas diferenças.
Gente atravessando fora da faixa ou motorista que não respeita o espaço do pedestre (tanto faz também): vamos nos irmanar nus, sem nenhuma faixa.
Trânsito lento a qualquer hora do dia, com pico ou sem pico: o negócio é tirar a roupa pra descongestionar a tensão.
Pensando bem, já faz tempo que estamos pelados nesse trânsito animal. Os maus exemplos estão por aí. Em abundância.

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