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Pai, pai, pai

Haisem Abaki

18 de setembro de 2015 | 10h36

Acordei todo alegrinho de um sonho, mas um pouco intrigado. Estaria ficando ainda mais doido nesse mundo de onde às vezes dá vontade de pedir uma paradinha pra poder descer? É que sonhei que tinha três filhos e não apenas os dois que tanto amo. Bem, na prática até já sou pai de três, incluindo a dona do meu fiel amor canino, que mais parece gente.

Não consegui recuperar a lembrança dos detalhes da viagem noturna, mas me pareceu que o desempate do atual placar paternal coube a uma menina. Dois a um pra elas. Também não sei o que despertou essa vontade. Já tinha pensado na possibilidade de uma “trinca” há alguns anos, mas prevaleceu a vontade da “parte contrária”. Concordei por achar que a última palavra sempre cabe à dona do corpo.

Fiquei imaginando qual teria sido o motivo de um sonho tão fora de hora. Talvez umas conversas que andei ouvindo (sim, estava andando enquanto escutava). Era alguém que admiro muito demonstrando preocupação com a idade (mas ainda é tão nova!) e fazendo planos. Alguém que certamente terá a capacidade de educar uma criança, vinda da própria barriga ou adotada, apesar desse nosso modo metido a besta de viver. Um fio de esperança no meio de tanta tragédia e hipocrisia.

Então, passei o dia com o sonho martelando na cabeça. Logo me vi na condição de pai babão de novo, só que com algumas vantagens. Mais maduro, mais alegre, mais magro, mais bem disposto, mais companheiro, com mais tempo livre, menos competitivo, mais ciente das minhas limitações. E, sim, mais velho, agora cinqüentão, o que significa ser mais crianção do que nunca.

Ah, tá, com menos dinheiro também… Três mensalidades na escola, três pra alimentar e vestir, três “compra paiê”, três tudo. Sem falar em cabelo e maquiagem, afinal, dois a um pras mulheres, né? Aí, refletindo com muito mais profundidade, percebi que devo estar ficando mais doido mesmo. Nem assim a vontade passou.

Que nada! Essa criança poderia ser muito feliz, apesar de mim. Basta ter uma mãe sincera, doce, corajosa, guerreira, sorridente, brava quando precisa, de alma leve, durona às vezes. Alguém com um olhar que diz tudo, mesmo sem abrir a boca. E que seja sensível pra derramar uma lágrima por algum refugiado, morador de rua ou por um bicho abandonado.

Então, vamos lá. Currículos podem ser enviados para… Putz, o coração avisa o tonto aqui que já fez a seleção da “adversária”. Está eternamente convocada. É só querer jogar. Apita, seu juiz!

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