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Os pés pelas mãos

Haisem Abaki

19 Fevereiro 2016 | 10h03

Acabo de viver uma experiência daquelas que mudam uma pessoa. Do tipo que faz a vida ter o “antes” e o “depois”. Um momento transformador, mágico, espetacular, sensível, revigorante, prazeroso. Adjetivos não faltam… Enfim, um novo sentido para esse negócio chamado “viver”.

Ainda sob o impacto dessa mistura de sensações lavadoras da alma, comecei a refletir sobre as razões para não ter feito tais descobertas há mais tempo. Por que demorei tanto para me permitir tamanho benefício pessoal?

Pensei, pensei, pensei e não cheguei a nenhuma conclusão. Já tinha ouvido falar sobre o assunto, mas nunca havia me interessado em experimentar aquilo. Talvez por causa da correria diária, da falta de tempo, da dedicação ao trabalho, de outras preocupações… As desculpas habituais para quase tudo que a gente não faz e não tem como justificar.

Daí para o relaxamento no mau sentido é só um pulinho. Convivi com pessoas que tinham como rotina a prática que conheci agora. Sempre ouvi relatos muito positivos de todo mundo, mas as histórias não foram suficientes para despertar a minha vontade. Justo eu, um persistente curioso e louco por novidades!

Precisei passar por um incômodo causado por minhas constantes corridas para, finalmente, perceber o descaso comigo mesmo. Nem assim fui convencido facilmente. Nada de preconceito, desinformação, ignorância ou machismo. Só desleixo e preguiça.

Até que minha eterna criança de 17 anos entrou em cena e começou a falar das maravilhas que eu estava perdendo. Confesso que aí surgiu a vergonha de me expor. Ainda bem que ela insistiu e me “intimou” a tomar providências. Mas só venceu o teimoso aqui ao dizer que iria junto.

E olha que eu ainda impus algumas condições. Além de me acompanhar, ela teria que explicar “as coisas”. Minha parte no trato era entrar mudo e sair calado. E lá fomos nós. A mocinha cumpriu o combinado, mas aos poucos fui me soltando e fiquei todo saidinho. A uma até então estranha, falei sobre minhas corridas, os machucados, as unhas encravadas e curvadas, a imensa dificuldade para cortá-las e até mostrei dois dedinhos encavalados que tenho.

E aquelas mãos delicadas começaram a cuidar de todo o estrago, detalhe por detalhe, canto por canto. E querendo saber se doía aqui ou ali antes de prosseguir. Para minha alegria, não doeu na proporção do “terrorismo” que minha filha fez sorrindo durante o caminho. Só faltou avisar o papai das cócegas, né?

Fui cheio de dedos e saí leve, quase flutuando. Meus pés serão eternamente gratos e me levarão lá de volta no mês que vem. Acho que até consigo ir sozinho… Vida longa à simpática podóloga!!!