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Os dias são assim

Haisem Abaki

02 de junho de 2017 | 11h13

Estou chegando ao fim de uma semana “terapeuticamente antissocial”. Foram dias de quase desconexão total da rede. Quase porque só fiquei conectado em “horário profissional” e em alguns momentos apenas como “observador corujístico” de discussões (e algumas vergonhas) alheias.

Foi ótimo dar uma de “alienado”, sem me envolver nessas “genuínas” polêmicas que a gente vê por aí. Mas isso não significa não ter posição sobre determinados assuntos candentes. Foi apenas um distanciamento “higienicamente mental” da obrigação de ter aquela velha opinião formada sobre tudo, como diria Raul Seixas.

Ou de dar um tempo e ter a independência escancarada pelo Capital Inicial. “Toda essa curiosidade/Que você tem pelo que eu faço/Eu não gosto de me explicar/Toda essa intensidade/Buscamos identidade/Mas não sabemos explicar”. Uma sensação de quietude por não receber notificações de comentários sobre comentários de comentários que uma hora já não deixam mais a gente saber o que está sendo comentado e sobre o que estão falando.

E assim deu pra ver que existe vida fora das redes e aplicativos muito úteis para nos cruzar com nossos interesses e panelinhas e nos fazer ver quem são os adversários que fazem parte do “eixo do mal” por pensarem de maneira diferente da nossa, que é sempre a correta.

Não discuti com ninguém sobre o presidente temerário, o senador boca-suja, o deputado mala. Nem sobre comparações do tipo “meu malvado favorito”. E nada de debater se o Palmeiras não é tão bom quanto o time do ano passado. E muito menos sobre a Renata Vasconcellos de roupão na chamada do Jornal Nacional.

Mas não fiquei totalmente fora do mundo virtual. Vi muita coisa sobre a linda Festa do Divino em Mogi. E vídeos e mais vídeos de crianças, de animais e de crianças com animais. Até aproveitei pra usar o aplicativo e gravar “recados” para a minha cachorra. Soube depois que ela ouviu tudo com atenção e abanou o rabinho. E ainda pude me dedicar a reler alguns textos do saudoso Flávio Gikovate.

Meu desapego virtual também me deu a chance de um bom papo sobre o jogo do Palmeiras com meu comentaristazinho esportivo preferido, de 14 anos. E de saber das novidades da menina mais linda da USP Leste, que pra mim sempre será menina por mais madura que pareça.

Mas o melhor de tudo foi ficar na companhia de alguém muito especial, alimentando o coração diante de variados caldos. Creme de mandioquinha, caldo verde, canja, capeletti, creme de ervilha… Falar tudo ali, cara a cara, rende um bom caldo. Sim, existe “gente humana” fora do mundão virtual conectado em tempo integral. E ainda vem com belos olhos e um lindo sorriso. É a vida dando sopa por aí.