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Os desvalidos na lama

Haisem Abaki

01 Fevereiro 2019 | 12h01

O que deseja uma empresa que doa 82 milhões de reais a campanhas políticas em 25 Estados?

E por quais razões doaria recursos para concorrentes a mandatos de deputados, senadores e governadores?

E qual seria o interesse em contribuir financeiramente com os três candidatos à Presidência da República mais votados nas eleições de 2014?

Os 139 deputados estaduais eleitos com essa ajuda tiveram que dar algo em troca?

E os 101 deputados federais que conquistaram suas cadeiras com esse auxílio, retribuíram à altura?

E os sete governadores e dez senadores eleitos com verbas mineradas para suas campanhas, corresponderam às expectativas? Ou não havia expectativa alguma?

Enfim, o investimento em 966 candidatos em 2014 valeu a pena? Esperava-se algum retorno? Ou foi apenas desprendimento em favor da pluralidade democrática?

E por que a última legislatura arquivou 22 projetos apresentados desde 2015 que propunham mudanças na lei de segurança das barragens?

Algum motivo especial para as propostas ficarem meses e até anos na gaveta?

E as que não ficaram esquecidas, por quais razões tramitaram lentamente na Casa que representa o povo?

E por que a omissão dos nossos representantes impediu a Agência Nacional de Mineração de elevar as multas aos infratores para 30 milhões de reais? Então as penas de 3 mil e 200 reais (agora reajustadas para 3 mil e 400) são suficientes?

Todos os dados acima estão em reportagens do Estadão. As respostas? Elas são as mesmas do silêncio das sirenes de alerta contra tragédias. Os corpos também “repousam” em silêncio. O ensurdecedor silêncio dos desvalidos na lama.