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Ônibus do créu, créu, créu

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 16h23

Publicado pela 1ª vez em 17/03/2009
Hoje vamos contar a história do Penna, um ouvinte da Rádio Bandeirantes que usa o transporte público de São Paulo. Atrasos? Superlotação? Não, ele já está acostumado e nem reclama disso mais. A dor de cabeça do Penna é a barulheira que é obrigado a ouvir.
Outro dia, andando de ônibus pela Marginal do Pinheiros, quase ficou surdo por causa de um sujeito que ouvia música no último volume e sem fone de ouvido. O som de qualidade duvidosa saía de um telefone celular, aquele aparelho que até serve pra fazer e receber ligações. Mas o pior ainda estava por acontecer. Numa outra viagem, quatro passageiros compartilhavam com todo mundo o barulho que vinha do que o coitado do Penna batizou de “tralha infernal”.
Quando pensou que já tinha ouvido tudo, entrou uma passageira com o desejo permanente de cantar a música da “Dança do Créu”do Largo da Batata até a ponte Transamérica! E para desconsolo geral nem era a Mulher Melancia. A letra ficou martelando no cérebro do Penna, principalmente aquela parte que diz: “Pra dançar créu/Tem que ter disposição/Pra dançar créu/Tem que ter habilidade/Pois essa dança/Ela não é mole não/Eu venho te lembrar/Que são 5 velocidades…”. E aí vem uma sucessão de“Créu, créu, créu, créu” que não acaba mais, começando bem de-va-gar até chegar num ritmo alucinante.
O pobre Penna, que não é um nome fictício, ainda com o créu nos tímpanos, esclarece que é fã dos Beatles, mas que não gostaria de ouvir o som deles no mais alto volume dentro de um ônibus. Antes de descer, ainda atordoado com o “créu, créu, créu, créu”, oPenna leu uma frase de ficção perto do motorista: “É proibido o uso de aparelhos sonoros”. Além do ônibus, nosso ouvinte também sacode por aí em vans e trens da CPTM. Amanhã, vamos contar mais histórias dele. Histórias do barulho com muito “créu, créu, créu, créu”. Credo!

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