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O porre da igualdade

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 17h09

Publicado pela 1ª vez em 21/05/2009
Hoje é o Dia Nacional da Cachaça, um produto genuinamente brasileiro. Estatísticas de alto teor etílico apontam que o consumo médio da bebida é de 11 litros por habitante deeeeeeste país. Calma! É só uma média. Certamente tem gente que bebe muito mais e há aqueles que nem passam perto do copo.
O bom desses estudos é que eles nos tornam mais iguais, independentemente de classe social, religião, time preferido ou qualquer outra diferença. Pelos números, pinga na conta de todo mundo. Quer um exemplo de igualdade? O deputado do castelo e o gari do cheque. Pelos cálculos alcoólicos, os dois consomem a mesma quantidade de cachaça.
O parlamentar foi ontem ao Conselho de Ética da Câmara, jurou inocência e disse ser humildezinho da silva, não vendo razão para devolver os 250 mil reais de verba indenizatória que foi acusado de usar ilegalmente.
O gari José Gomes da Costa foi a uma agência bancária de São Paulo para devolver um cheque de pouco mais de 2 mil e 500 reais que encontrou ao varrer uma rua.
Viu só? Eles são exatamente iguais. Para o lixeiro, se ele não fosse sóbrio, o dinheiro compraria um rio de aguardante. Para o deputado, o valor da verbinha, apesar de 100 vezes maior, é só dinheiro de pinga. Um brinde à igualdade!

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