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O cunhado e o milhão

Haisem Abaki

24 de fevereiro de 2013 | 16h41

Publicado pela 1ª vez em 07/04/2009
O segundo capítulo da historinha do palácio imperial do vereador Ushitaro Kamia, do Democratas, pegou o caminho da roça. O repórter Agostinho Teixeira, da Rádio Bandeirantes, foi atrás do bondoso cunhado do parlamentar, que gentilmente emprestou o nome para a propriedade da Serra Cantareira, avaliada em seis milhões de reais.
Ao contrário do vereador, o parente não teve problemas ao falar dos milhões. De grão em grão, foi contando que, há cerca de dez anos, a pedido do parlamentar, aceitou colocar o terreno no próprio nome, antes do início da imponente construção.
Depois, por solicitação de um advogado, assinou uns papéis e não sabe de mais nada sobre o palácio que até tem cascata. Foi viver bem longe dali, em Guaraçaí, a 600 quilômetros de qualquer tentação. Mas, ao perceber que poderia ser depenado com tantas perguntas, achou melhor não cacarejar mais e desligou o telefone na cara do repórter. O vereador, que tentou se livrar da bicada com uma sucessão de “num sei, num sei, num sei”, não poderia ter escolhido alguém melhor para representá-lo. O cunhado é um grande especialista em milhões. Um verdadeiro milionário. Vive feliz com uma modesta plantação de milho e não quer mais roçar o assunto. Sobrou para o vereador Kamia, que agora tenta desviar do sabugo. Ainda bem que o palácio tem sala de meditação!

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